ASSEMBLEIA PROVINCIAL

 

CRÓNICA
 

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Dia 14, Terça-feira

10h00 – Acolhimento
 

11h15 – Saudação e apresentação dos participantes

Na hora prevista, o Superior Provincial procedeu ao acto de abertura, com a oração “Reunidos em Vosso Nome”, pedindo o espírito de bondade e diálogo, de verdade e fraternidade, para nos realizarmos como pessoas e como comunidades.

Salientou a ginástica pastoral que muitos teriam feito para estarem presentes, deu uma especial palavra de acolhimento aos que participavam em eventos destes pela primeira vez e de simpatia para com os ausentes. Estendeu esta comunhão Provincial aos claretianos que se encontram em Angola e S. Tomé e Príncipe e às comunidades religiosas que nos enviaram mensagens, prontificando-se a rezar pelo bom andamento desta Assembleia. Aos presentes pediu a melhor colaboração na “criação de uma atmosfera propícia, dinâmica, reflexiva, criativa e construtivamente crítica”. Centrando a atenção no momento que a Província Portuguesa vive - próxima Assembleia da Delegação Dependente de Angola e S. Tomé e Príncipe, próximo Capítulo Geral, construção do Projecto Missionário da Província (PM) -, concluiu desejando que o espírito de Claret a todos contagie.

Antes da saída da sala para participarmos na Eucaristia, o P. António Oliveira, apresentou alguns livros ultimamente vindos a público com referências a Claretianos.


12h00 – Eucaristia

Após este momento, celebrou-se a Eucaristia presidida pelo P. José Maia, que, a partir das leituras do dia e indo ao encontro das preocupações latentes no espírito pastoral de todos, falou de confiança e credibilidade, como desafios do mundo a que somos enviados.


15h30 - Projecto Missionário da Província

Com a presença da Dr.ª Laurinda Alves e do Dr. João Colimão da APEME, organismo que vem fazendo assessoria à Comissão nomeada para a elaboração do Projecto Missionário, o P. Vitor Pinto, coordenador dessa equipa, fez uma breve exposição, assinalando os passos dados: visitas às comunidades, envio de documentação de trabalho, num processo de descoberta do caminho a seguir, e elaboração do questionário.

O documento em ordem ao Projecto Missionário “Contributos para uma reflexão partilhada”, presente para estudo nesta assembleia, está organizado em duas partes:
- Que visão temos de nós?
- Que visão têm de nós os que nos rodeiam?
 

Antes de dar a vez ao Dr. Colimão, o P. Vitor Pinto lembrou as palavras de Bento XVI: “A humanidade precisa de perguntas. Quando já não são feitas perguntas, até às que se referem ao essencial e vão além de qualquer especialização, deixamos de ter respostas”.
 

Abrindo um tempo de diálogo, a Dr.ª Laurinda Alves, jornalista e membro do Movimento Esperança Portugal de inspiração cristã, candidata ao Parlamento Europeu, referiu os quatro pais da Europa, para salientar que a fundação da união europeia partiu dum sonho não económico, mas humanista de inspiração cristã. Os europeus estão a construir um projecto de paz, que só é possível na medida em que continuar o crescimento da partilha, acolhimento, tolerância, interdependência e perdão.


Dr.ª Laurinda Alves ladeada pelo Dr. João Colimão e pelo P. Vítor Pinto.
 

Depois tocou no tema “Portugal na Europa” para salientar que, tendo-se Portugal limitado a receber, terá chegado a hora de dar, considerando sobretudo a inclusão no projecto europeu de novos países, oriundos de situações muito mais precárias. Em sua opinião, Portugal está moralmente interpelado a ajudar os outros e terá de aplicar a si as palavras poéticas de Khalil Gibran: “Não perguntes à vida o que ela te pode dar. Pergunta-te o que podes dar à vida”. Um dos contributos que podemos dar é reforçar o espírito missionário e de voluntariado potenciando os programas já existentes.


O Dr. João Colimão presidiu ao diálogo.
Seguiram-se vários intervenientes:

- P. António Oliveira: Citando Sophia de Mello Breyner “sabemos mais do que percebemos”, deixou a pergunta: Como levar os jovens a aderir afectivamente ao projecto europeu?
- P. José Maia: Há uma cidadania cristã. Como lidar com ela? Como lidar com a laicidade? E referiu algumas pistas de abordagem: ética, ecumenismo…
- P. Pina Ribeiro: Insistiu no tema da ética.
- P. José Barros: Pôs a pergunta: Será possível uma moral só laica? O Papa, na sua recente visita à França, viu elementos aproveitáveis na expressão de Sarcozy: “laicidade positiva”.
- Dr. João Colimão: Comentou com graça que o Deus da catequese será entendido como um caminho mais difícil. Daí que não seja de admirar todos os estratagemas mesmo de ordem intelectual para se esquivarem d´Ele.
- P. Samuel Tumbula: Referiu o pluri-culturalismo. As sociedades atingidas por este fenómeno vão encontrando cada vez mais a base dos valores que professam, na declaração universal dos direitos do homem e não na religião.
- Alguém da mesa: Para isto servem as palavras de Bento XVI, acima citadas: “A humanidade precisa de fazer perguntas. Quando já não são feitas perguntas, até às que se referem ao essencial e vão além de qualquer especialização, deixamos de ter respostas”.
- P. Pina Ribeiro: No contexto do Deus mais difícil, referido pelo Dr. João Colimão, O P. Pina Ribeiro, não sem graça, falou dos “padres da vinagreira”, padres diocesanos que a quando da expulsão das ordens religiosas em 1910 se constituíram em equipas de pregadores, continuando as Missões Populares dos frades. O povo designou-os por “Padres da Vinagreira”, porque falavam não do céu mas do inferno, não da graça mas do pecado, não da vida mas da morte.
- P. Carlos Ângelo: Perguntou: será que a Igreja está mais preocupada com defender as suas posições doutrinais do que em responder aos desafios que a sociedade lhe coloca?
A Igreja apresentada e distorcida nos Media está só preocupada na defesa das posições doutrinais. Mas a Igreja real está aberta e centrada no povo. É preciso que a Igreja progrida nesta direcção e que isso seja percebido pelo povo. As seitas são exímias no “serviço de apoio ao cliente”.
- P. Danilo Trovoada: A economia manda no mundo. Como falar com autoridade se se não produz? A resposta está na criação dum mundo mais justo, numa esperança que não assenta só em números.
 

A Dr.ª Laurinda Alves ao longo deste diálogo, além do testemunho de crente cristã, foi expondo as suas convicções, resumidas nas palavras que se seguem:

- Sente que os jovens estão dispostos a ouvir e a perceber a história do projecto europeu e, quando entendem, ligam-se afectivamente. Os jovens têm de ser ajudados a reorganizar critérios e prioridades.
- Uma dificuldade é a sociedade individualista. Tudo é pensado e feito à “escala de um”;
- Ilusão da modernidade: Os meios de comunicação social e as forças políticas apresentam-nos algumas coisas como sinais de modernidade e, por isso, melhor aceites;
- Vale a pena estar atentos às associações e movimentos também ecuménicos.
- Há muitas pontes, caminhos e portas abertas e a abrir;
- Tudo o que se construiu no mundo, só foi possível pela esperança. Sem esperança nada se constrói.

Iluminados pelo diálogo e a partir daquilo que sabemos e podemos observar, após um breve intervalo para lanchar, fomos convidados, divididos em grupos, a descobrir as oportunidades e ameaças que a sociedade actual apresenta aos missionários claretianos.


19h00 – Vésperas.

Ao órgão, nesta e nos demais momentos comunitários de oração, esteve o estudante João Carlos.

Neste momento de oração, o P. Américo Maia, na base da leitura proclamada, salientou que Cristo Ressuscitado é fonte de alegria, sabedoria, coragem, paz (shalom), reconciliação, envio, presença(s) no quotidiano. O Ressuscitado continua a ter impressos os estigmas da Paixão. A novidade de Cristo Ressuscitado revela-nos o rosto de um Deus que nos des-projecta, que põe em causa os projectos humanos. Tenha-se isto presente ao elaborarmos o nosso Projecto Missionário.


21h00 – Convívio:

Apresentação (multimédia) das nossas comunidades, com vídeos e fotos.

Momento aproveitado por algumas comunidades, principalmente a da Cúria Provincial. Também o Departamento de Evangelização Multimédia (DEM) aproveitou a ocasião para se dar a conhecer.

 

Dia 15, Quarta-feira

08h00 – Laudes, orientadas pelo P. Joaquim Maia.


10h00: Apresentação do estudo pedido à APEME

Momento introduzido pela oração, constante do guião do encontro e intitulada “SÓ DEUS”, rezada em dois coros alternados, europeus e africanos, para assinalar o facto de, pela primeira vez, uma Assembleia Provincial ter a presença dum tão significativo número de africanos.


De seguida, o Superior Provincial fez a apresentação dos elementos da APEME:
Drs Carlos Liz, João Colimão e Dr.ª Elsa Gervásio.


Superior Provincial apresenta a equipa da APEME
 

Distribuído pelos presentes o estudo preparado pela APEME e intitulado “Projecto Missionário da Província Portuguesa, contributos para uma reflexão partilhada”, o Dr. Carlos Liz começou por fazer a apresentação do mesmo, centrando-se nos objectivos para os próximos 10 anos.
Temos uma identidade própria. Um claretiano seja claretiano independentemente da actividade que exerça. Quais os ingredientes dessa identidade?
Reportando-se ao inquérito, que serviu de base ao presente estudo, disse que as respostas revelam uma vontade de “SAIR DE CASA” para ir ao encontro dos apelos que chegam como desafios.
Especialista na matéria, salientou como importante o modelo para pensar o projecto missionário: Mundo – Recursos – Carisma, elementos que devem estar sempre inter-relacionados.
Convidou os missionários a não terem medo. A desorientação do mundo é uma oportunidade óptima para os religiosos.
De seguida, pôs a assembleia em contacto com a síntese dos resultados do questionário, que constava no documento referido em cima.


11h15 – Diálogo em grupo

Os grupos já estavam constituídos pelos organizadores da assembleia, bem como os locais devidamente identificados, tendo por isso sido fácil o aproveitamento do tempo.

Tratava-se de procurar nos gráficos:
- O que é muito importante e fácil? Para identificar aquilo que é necessário aprofundar para nos aplicarmos mais.
- O que é muito importante e difícil? Para identificar aquilo que são os grandes desafios.

No final os relatores entregaram aos membros da APEME as aportações resultantes deste diálogo.

 

15h30 – Continuação dos trabalhos

Apresentação do Dr. Carlos Liz do da síntese do diálogo em grupo, segundo os dados fornecidos pelos relatores. Os dados recolhidos considerou-os muito importantes, pois o objectivo sempre presente é que o futuro projecto da Província seja obra de todos os seus membros e não dum qualquer gabinete por melhor que seja. Eis o que recolheu e devolveu à Assembleia:

Sublinhar ou incluir com mais detalhe os seguintes tópicos:
                A riqueza da Multiculturalidade – novas sínteses culturais e oportunidades para a construção do diálogo ecuménico, ao mesmo tempo que fica favorecida a renovação das linguagens e a importância de instituições/ figuras globais
                Requalificação do Envelhecimento, o valor da sabedoria, o imperativo ético de não desperdiçar conhecimento e de dignificar a vida humana em toda a sua extensão
                O Novo Humanismo, o fim das oposições laico-republicanas vs cristão clerical, o espaço para afirmação de propostas espirituais no meio das outras bem como a possibilidade de consolidação de um espaço de paz e democrático
               A tomada de consciência dos leigos enquanto parte activa e relevante nos destinos da Igreja – trazendo para dentro da Igreja uma (ainda) nova sensibilidade social


Aprofundar os seguintes tópicos:
                A valorização da Eucaristia como um acto essencial – fuga à rotina, centralidade do Altar, envolvimento dos leigos enquanto participantes activos na celebração, bem como encontrar formas de atracção para os que estão afastados
               Clarificar os papeis de religiosos e leigos na definição do poder e das tarefas nas obras dos Claretianos, encontrando pontos de equilíbrio eficazes, tendo em conta as competências específicas dos leigos, segmentando-os
               Reflectir e ensaiar novos modos de viver em comunidade, realçando a dimensão familiar e mesmo fraterna e criando uma cultura de comunicação permanente entre todos, mesmo quando à distância
               Empenho de toda a Província, independentemente da área de actuação na Pastoral Vocacional, evitando percepções menos atractivas sobre o estilo de vida do Consagrado e evitando a dissolução da marca Claretiana


Enfrentar os seguintes desafios:
               Desenvolvimento e crescimento espiritual intra e inter Província – dar resposta testemunhal à procura de sentido
              
Necessidade de rever os moldes de envolvimento da Província na Pastoral Vocacional – uma missão de todos
               Necessidade de maior afirmação da identidade Claretiana – cultivar espiritualmente os valores de Claret


Sair de Casa: na nossa comunidade, nos colégios, nas paróquias, capelas públicas e reitorias, nas obras sociais, na animação de vida consagrada, nas missões em África, foram os vários sectores definidos. Cada grupo dedicou-se apenas um deles e procurou identificar o que nos motiva, o que podemos fazer e como nos podemos preparar.


17h30 – Mesa-redonda, orientado pelo Dr. Carlos Liz


Mesa-redonda com os relatores dos grupos orientada pelo Dr. Carlos Liz
 

Evocou-se de novo o lema da Assembleia: “Sair de casa para a imensidão inesgotável”. Os relatores apresentaram o resumo do diálogo havido na reunião de grupo: o porquê ou as implicações do SAIR DE CASA em cada uma das áreas pastorais.


19h00- Eucaristia.

Presidiu o P. Correia de Oliveira. A homilia, na base das leituras, salientou:
            - Somos amados, somos salvos.
            - Não somos nós a salvar-nos. É Ele quem nos ama e salva.
            - Só amamos, quando percebemos que somos amados.


21h00 – Convívio

O P. João Luís e o leigo José Pedrosa, que se deslocou a Fátima para esta intervenção, apresentaram a procuradoria das Missões, referindo, entre outras coisas, as áreas de intervenção:
            - Formação e recrutamento
            - Angariação de fundos em ordem a projectos a apoiar
            - Divulgação/multimédia
            - Acção sócio/pastoral
            - Coordenação


O. P João Luís e o Sr. José Pedrosa apresentam a Procuradoria das Missões
 

O P. Joaquim Maia deu a conhecer algumas das actividades que a Equipa de Pastoral Juvenil Vocacional tem realidade a partir das comunidades do sul do país.

Depois foi a vez do estudante João Carlos expor os objectivos e actividades que se realizam no Seminário Maior Claretiano.

 

Dia 16 – Quinta-feira


08h00 – Laudes e Eucaristia.

Presidiu o P. Carlos Ângelo. Partindo do Evangelho do dia, falou da importância do corpo e da necessidade de o integrarmos na nossa vivência, para que o anúncio do Evangelho que façamos esteja alicerçado numa teologia da corporeidade. E lembrou que o Papa João Paulo II se referiu à Capela Sistina, aquando do restauro da mesma, como “Santuário do Corpo Humano”.


10h00 – Síntese e próximos passos para o Projecto Missionário

O Dr. Carlos Liz tomando a palavra, referiu com entusiasmo a homilia da Eucaristia do dia anterior, dizendo que ela faz parte do Programa. E utilizou o ditado “Menos cordura (sensatez) e mais loucura”. E, convidando cada um a pensar no contributo que quer dar para aquilo que parece impossível. Retomou o tema da humildade, pois é esta que torna possível a convergência. O Programa é uma viagem. Viagem de 10 anos. “É muito tempo”, como diz a canção de Paulo Carvalho. É uma peregrinação. Viajar pelos campos… Campos tão variados: rurais e urbanos, físicos e virtuais, amigos e inimigos, já conhecidos e nunca vistos, os dos mapas e outros que nem o GPS detecta. Peregrinação que supõe preparação tanto cuidada como entusiasta.


Eis a síntese que fez dos trabalhos de grupos do dia anterior:

Sair de Casa na Animação da Vida Consagrada, nas Obras Sociais, nos Colégios, na Nossa Comunidade, nas Paróquias, nas Capelas Públicas e Reitorias, nas Missões em África, com uma motivação comum:

Anunciar Jesus Cristo”, “por convite do próprio Deus”, “para Evangelizar educando”, “porque a Caridade de Cristo nos impele”, “para enriquecer a própria Vida Religiosa”, “pela motivação inicial dos nossos Fundadores”, mas também por querer “ir ao encontro do desconhecido”, pela “expectativa em receber e partilhar” enriquecendo com a diferença, por “conferir um rosto no país e no mundo à Vida Religiosa”, por “sermos poucos”, porque o nosso coração se compadece com “as necessidades que há”, porque o “mundo da cultura pede a nossa intervenção”, porque queremos “partilhar a vida “e “criar comunhão”


Vemos como há muito que “podemos fazer”:

Na Casa de Espiritualidade, na animação da Vida Religiosa e ajuda espiritual, na criação de revistas, no aproveitar qualitativo dos media, na maior Atenção a tudo, numa sensibilidade renovada à leitura encarnada do Evangelho, no envolvimento da comunidade educativa e das famílias, no desenho de novos tempos e lugares para evangelizar, na redescoberta da Humildade, na Revelação do espírito da Comunidade para além do formato grupo saboreando a transpessoalidade dos discípulos do Senhor e o seu gosto de se conhecerem, oferecerem o seu ombro na desolação, na criatividade de se ser zeloso e vincar a nossa dimensão cordimariana, na convicção de que só há informação que valha a pena se for nos 2 sentidos, na proximidade à África geo-distante e emocionalmente tão perto da nossa vida e história, na disponibilidade para a Missão…
 

Importa fasear e monitorizar. Ter a coragem de conferir os passos, identificar os desvios, aprender com eles, convocar a motivação fundadora dos nossos passos e retomar a estrada. E, como dizem os grupos:


Conhecer previamente a realidade, estudando-a e observando-a de perto, até para sintonizar mentalidades, requalificar a Vida Comunitária, investir na comunicação como no silêncio, inventar espaços dinâmicos que nos tornem mais juntos e nos formem espiritualmente, formando-nos como interlocutores dos cientistas sociais e conhecendo a fundo a Doutrina Social da Igreja, deixar renascer o interesse por cada um de nós e dos outros como Pessoa Única saboreando as diferenças e gerando a adaptação inteligente e amorosa que promove o sentido de comunidade, não resistir a sermos os primeiros a assumir o que depois iremos transmitir aos outros, todos os dias a aprender a arte da disponibilidade, só possível na medida em que nos deixarmos tocar pela Palavra de Deus.


Seguidamente, apontou três linhas de força:
            - Reforço do espiritual na vida e na acção dos claretianos
            - Trabalhar pela coesão interna da Província: convergência na diversidade.
            - Subir no patamar do conhecimento.

No final desta intervenção, o Dr. Carlos Liz despediu-se da Assembleia.

O P. Provincial dirigiu-lhe palavras de agradecimento em nome de todos os missionários Claretianos da Província Portuguesa.


11h30 – “A caminho de 2010”

Este momento foi aberto com a oração: “Tudo para a glória de Deus” (Claret), constante do guião.

De seguida, e a partir da sua condição, o Superior Provincial fez uma resenha da vida da Província desde a Páscoa de 2007, altura em que foi eleito para o cargo.

Referiu-se a este período como sendo um tempo de bênção, de aprendizagem reactiva e pró-activa.

Embora tenha sido tempo de muitas comemorações, as comunidades requereram-lhe o melhor da sua dedicação. Valorizou e enalteceu os superiores ao assumirem o seu papel. Na carta pós-visita canónica, fala-se de sementes de esperança e gérmenes de preocupação. Entre estes está a questão do futuro dos irmãos missionários.

Como maiores desafios, elencou:
             - A contínua motivação, articulação e coesão do Governo Provincial.
            - O atrevimento do Projecto Missionário e a serenidade / profundidade no debate durante todo o processo de elaboração.
            - A perseverança no acompanhamento e respeito pelo caminho da consolidação da Delegação Dependente e seu Governo.
            - A credibilização dos superiores locais e sua qualificação contínua.
            - A valorização e envolvimento dos nossos mais idosos na dinâmica geral da Província.
            - A co-responsabilidade de todos nos assuntos e nos encargos de nomeação provincial.


12h00 – Vídeo-conferência/online

Com algumas dificuldades, conseguiu-se estabelecer o contacto “online” entre o Superior Provincial, o Bispo, D. Manuel António, e o P. Romualdo Almeida, Superior do Governo da Delegação Dependente de Angola e São Tomé e Príncipe, tendo participado também o P. Miguel Gomes.

O D. Manuel António e o P. Miguel Gomes saudaram os claretianos presentes na Assembleia e partilharam connosco um pouco das canseiras pastorais próprias das celebrações da Semana Santa e alegria de festejar com o povo cristão de S. Tomé a Ressurreição de Jesus Cristo.

O Superior Delegado, P. Romualdo Almeida, em breves palavras falou do caminho percorrido pela Delegação Dependente no pouco tempo da sua existência. Disse-nos ser um caminho marcado pela esperança e pela falta de recursos: pessoas e financeiros. Comunicou-nos, ainda, que na Assembleia da Delegação, marcada para a segunda semana de Junho, em Luanda, procurarão respostas nas três áreas da nossa vida: vida comunitária, pastoral e formação, para a inquietação: “Que fazer para melhorar a vida e a missão dos claretianos em Angola e S. Tomé e Príncipe?”


15h30 – Prefeitura da Espiritualidade.

Este momento foi aberto pelo P. Provincial com a oração: “Damos-Te, graças, ó Deus”, constante no guião da Assembleia. 

O P. Pina Ribeiro, tomando a palavra, agradeceu por antecipação a paciência dos presentes e expôs vários pontos para diálogo:


            - Bicentenário de Claret.
            Que balanço, que impulso ficou para o futuro?
            Os objectivos eram: fazer memória, divulgar e celebrar a figura de Claret nas nossas obras. Foram concretizados?
            Se tivéssemos de deixar alguma das nossas obras, ficaria lá algum sinal e perfume da nossa presença?

            - Projecto “Eucaristia e Missão”
            Que utilização temos feito dos materiais colocados no sítio da Congregação – www.claret.org, pelo P. Gonzalo Fernández, Prefeito Geral de Espiritualidade?
            Está mandado que todos os claretianos celebrem ou participem diariamente da Eucaristia. Como se vem cumprindo esse indicação?

            - Constituições
            Que leitura, que releitura, que memória, que interiorização?

            - Retiro mensal e anual
            Que é feito desta regra?

            - Presença nos momentos fundantes da comunidade: oração, refeições, reuniões, trabalho em equipa.
            Que presença e que qualidade de presença?

            - Ascese
            Ainda se usa?

            - Clima de esperança e de alegria
            É este o clima que se vive nas nossas comunidades?
            Comunidade sem alegria é candeia (comunidade) que se apaga.
            Fala-se de crise. Como estamos de confiança em Deus? Ter-se-á esgotado a criatividade de Deus?
 

Aberto o diálogo, na base destas três pistas, houve as seguintes intervenções:

- P. Correia de Oliveira: Andamos a colocar remendos. Este projecto não será mais um? Falamos mal de nós mesmos. Dizemos mal de nós mesmos.
- P. Danilo Trovoada: O nome de “claretianos” não terá sido um empobrecimento por comparação com o de “Missionários do Coração de Maria”? A mudança de nome não terá significado mudança de acentuação? Teremos continuado a valorizar do mesmo modo a Maria e cordialidade de Maria?
- P. Vitor Pinto: A insegurança deve aceitar-se como um dado que hoje se impõe. Hoje vive-se a insegurança.
A nossa deve ser uma “insegurança tranquila” que nos vem da fé.
Inseguros, mas tranquilos.
Há também a tentação da “demissão”.
Sendo missionários, se nos demitimos, negamo-nos a nós próprios.
O nosso pecado, se é nosso, não seja transmitido ao outro. Pecado extra-polado é potenciado exponencialmente.
- P. Pina Ribeiro: Os últimos capítulos gerais de vários institutos foram sobre a identidade. O nosso também vai nessa linha.

O Superior Provincial encerrou este momento de diálogo, agradecendo ao P. Pina.
 

16.15 – Prefeitura da Formação e Pastoral Juvenil Vocacional

O P. Abílio Ramos tomou a palavra e deu algumas informações relativas a esta prefeitura:
- Em Arimba (Lubango – Angola), foi aberta nova casa de formação que será benzida no próximo 13 de Junho.
- Encontro de estudantes da IBERIA, em Fátima, de 30 de Abril a 3 de Maio.
- Encerramento da semana vocacional claretiana, a 3 de Maio, em Fátima

Depois recordou os pilares do Projecto de Pastoral Juvenil e Vocacional e foi referindo o que de positivo se tem alcançado e as dificuldades e resistências que ainda se encontram.

Provocando o diálogo, perguntou:

Como diminuir o fosso entre a importância que atribuímos à Pastoral Vocacional e a dificuldade em empenhar a província, de colaboração das comunidades com a Equipa de Pastoral Juvenil Vocacional, em acolher e acompanhar os jovens que querem ser missionários?

- P. Samuel Tumbula: Pediu dados mais concretos sobre a acção da equipa.

- P. Abílio Ramos: Respondeu que são cerca de seis os adolescentes e jovens que estão a ter acompanhamento vocacional. Na resposta evocou a dificuldade em cumprir a pedagogia da pastoral vocacional do Senhor expressa no “Vinde e vede”. E aventou a necessidade duma comunidade que pudesse responder convincentemente a esses requisitos.
- P. Américo Maia: É da opinião que a pastoral vocacional deveria ser mais explícita, com mais declarada valorização dos nossos símbolos.
- P. Jerónimo Trigo: Retomou o tema do “Vinde e vede” para dizer que é preciso ter cuidado com tais frases.
- P. Custódio Pinto: Disse da sua convicção de que não seria de se ter tanto receio do tal “Vinde e Vede”, uma vez que os jovens estão aptos a encarar as dificuldades do mundo e da Igreja, e que estas podem até funcionar como estímulo e motivação. Haja, isso sim, verdade e humildade na exposição da situação, bem como cultivo de atitude de escuta dos apelos de Deus e do mundo, do mundo com fome de Deus e de Deus que nos quer enviar ao mundo.
- P. Vitor Pinto: Pede que esta responsabilidade seja assumida por todos. Cuidado com os objectivos que nos propomos. Sejam exequíveis.
- O P. Provincial encerrou o debate, agradecendo ao P. Abílio Ramos a liderança desta Equipa de Pastoral Juvenil Vocacional.
 

17h30 – Prefeitura de Economia

O P. João Luís toando a palavra e alinhando humoristicamente com a temática da crise hoje diariamente badalada na comunicação social, afirmou que a verdadeira crise é a crise da competência para gerir esta prefeitura.

Seja como for, ela aí está no terreno e mesmo o Superior Geral refere-se-lhe. É uma realidade nova que pede diálogo e participação, comunhão e testemunho, esforço conjunto. Precisamos de nos pormos todos a caminho: viver com austeridade, poupar, evitar gastos desnecessários, encontrar outras formas de receitas, saber renunciar, fazer sacrifícios e partilhar com os mais pobres, trabalhar sem ter apenas a intenção económica.

Enquanto Prefeito da Economia, tem tentado estar atento às necessidades e tentado encontrar as melhores soluções, tem procurado agilizar processos e assessorar-se de pessoas competentes: contabilistas, informáticos, advogados.

A respeito da Delegação Dependente, observou que ela é a primeira instância de estudo dos orçamentos, antes da decisão final do Governo Provincial, e que é preciso irmo-nos habituando a respeitar esta instância nova.

Depois apresentou a realidade económica da Província, explicitando alguns assuntos em vias de resolução, e finalizou indicando alguns desafios para futura na sua área.
 

18h30 – Dado que o dia seguinte seria dedicado a tratar de assuntos relacionados com a área da Prefeitura do Apostolado e que não haveria apresentação de comunidades e obras no convívio da noite, encerramos os trabalhos desta tarde dando a palavra ao P. Jerónimo Trigo para que apresentasse brevemente o Colégio Pio XII e obras envolventes.

 

19h00 – Momento de oração

O P. Carlos Candeias, na capela orientou um momento de oração, fornecendo um pequeno guião, que inspirou uns momentos de silêncio e cuja ideia dominante era: deixar-se encontrar pelo Vivente.

 

Dia 17, Sexta-feira


08h00 – Oração da manhã

O P. Francisco de Assis dirigiu as laudes e, a partir da leitura do dia, deixou no ar estas perguntas:
- Quem nos poderá impedir de anunciar em nome de Jesus?
- Quem nos poderá impedir de levar por diante o Projecto Missionário.
- E afirmou: estamos a viver dias de bênção!
 

10h00 – Assuntos vários

O P. Artur Teixeira abriu este momento com a oração “Mãe do divino amor…”
De seguida, avançou com a proposta duma reunião do Conselho Permanente para daqui a cerca dum mês.

Querendo valorizar o papel dos que já entraram na idade dos 65 anos, propôs uma reflexão sobre o tema. A proposta não mereceu entusiasmo da Assembleia. Foram do teor seguinte as intervenções:

- P. Jerónimo Trigo:  A questão não é etária. É de saúde, perda de autonomia. Isso nem sempre está relacionado com a idade.
- P. Correia de Oliveira: O problema é afectivo. Sensibilizarmo-nos por estes irmãos. Quando estão hospitalizados, visitamo-los? Se não, eles sentem-se humilhados, por comparação com os outros doentes na mesma enfermaria.
- P. Pina Ribeiro: A Província não seja tomada como empresa, mas como fraternidade. Olhemos para o que cada um é capaz de ser e de fazer. Não olhemos a números (65 anos). Olhemos à situação de cada um. Mesmo com muitas limitações o ministério sacerdotal oferece muitas possibilidades. Que fazemos da tradição dos confessores e directores espirituais? Que belo trabalho se poderia fazer, e que de facto tem sido descuidado: o atendimento e acolhimento ao serviço de toda a gente.
P. Vitor Pinto: Dizia o Dr. Carlos Liz: “Olhai para os tesouros que tendes entre vós!” A Bíblia fala do valor dos sábios, os mais velhos. Na promoção vocacional tenha-se isto presente.
P. João de Freitas: Que os mais novos não se preocupem muito connosco. Que vivam a sua vida e deixem-nos continuar a nossa dedicação.
P. Jerónimo Trigo: Evitemos os discursos redondos, como se faz numa situação concreta em que alguém fica numa dependência total.
P. José Maia: A sociedade civil evoluiu. Em vez de internamentos em lares, o apoio domiciliário, os anjos da noite (ajuda de pessoas de fora da família para que a família descanse

Antes do intervalo, o P. Abílio Ramos, Secretário Provincial, tomou a palavra para fazer alguns avisos breves sobre assuntos de secretaria.
 

11h30 – Para este momento foram feitas três propostas:

a)            Encontro de párocos, vigários paroquiais e reitores. Este encontro fio coordenado pelo Superior Provincial e pelo Prefeito de Apostolado Justiça e Paz, P. José Maia. Teve como base um artigo da Voz portucalense de 8 de Abril de 2008: “Bento XVI e os ‘afastados’ nas paróquias”. Foram abordados vários assuntos relativo a essas realidades pastorais.
b)            Encontro de pregadores de retiros e conferencistas. Foi coordenado pelo P. Pina Ribeiro.
c)            Preparação da eucaristia final e oração mariana na capelinha.


15h30 – Encontro Pastoral com líderes das Paróquias/Capelas Públicas, Colégios, Casa de Acolhimento e Fundações

O P. Provincial tendo aberto este momento com a oração “Reunidos em Vosso Nome”, do guião preparado para a Assembleia, disse que a alegria pascal que sentimos sai reforçada com a chegada dos leigos e pediu que houvesse uma breve apresentação pessoal, enfatizando: “aqui cada um tem voz e vez!”.

Estiveram presentes leigos que trabalham com os missionários claretianos nas paróquias de Agualva e Setúbal, nos Colégios dos Carvalhos e Pio XII e na Fundação Filos.


A Assembleia contou com alguns leigos que trabalham connosco
 

O P. Trigo fez um momento formativo, a que deu o título: “Espiritualidades hoje e vida cristã” desenvolvido em três pontos. 

1º) Espiritualidades ou espiritualidade
- Tema na moda.
- Costumam, no entanto, dizer (também na Universidade): isto nada tem a ver com religião. É espiritualidade laica, pelagiana (podemos salvar-nos por nós).
- Espiritualidade com patamar baixo, uma terapia humana. É isto que se cultiva nas escolas de enfermagem e que constitui o maior atentado ao cristianismo.
- Não é só ateísmo. É proposta de paganismo com nomes cristãos.

2º) Espiritualidade cristã
- Disto falamos nós. “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida”.
- “Vida” aparece como fundamental no cristão. Dom de Deus é o Espírito Santo. É desta espiritualidade que falamos.
- Pelo baptismo já não somos só humanos, mas divinos. Somos habitados por Deus.

3º) Partir de Cristo
Espiritualidade, a partir de Cristo.
Ele é o Primogénito de toda a criatura.
O acontecido em Belém tem um valor cósmico.
É ele que nos merece o Espírito Santo.
A espiritualidade é um dom.
E o dom transforma-se em dever.
Em S. António Mª Claret vê-se esta espiritualidade.
“O Senhor disse-me: Não sois vós que falareis. O Espírito de vosso Pai (e da vossa Mãe) é que falará por vós”. (Aut. 687)


O P. Trigo concluiu este momento:
Deus fez-se homem. Se a espiritualidade não for humanizadora não é espiritualidade cristã.
A espiritualidade é operativa.
Podemos fazer muitas coisas, mas é o Espírito Santo a dever orientar-nos.
A espiritualidade também supõe um caminho, uma pedagogia do Espírito para introduzir as pessoas na vida do Espírito Santo, na espiritualidade cristã.

 

Depois deste tempo dedicado à formação, o P. José Maia introduziu o momento de diálogo contextualizando a presença dos leigos nesta Assembleia Provincial e na elaboração do Projecto Missionário. Teceu algumas considerações sobre a maneira como os claretianos entendem a “Missão Partilhada” e, dirigindo-se aos leigos presentes na Assembleia, disse que, se os convidamos, é porque os sentimos associados ao nosso carisma.

Aludindo às linhas de força para a construção do Projecto Missionário já referidas, sintetizou: “Queremo-nos mais espirituais, mais unidos, mais cultos”.

Houve bastante participação dos leigos presentes e foi muito rica a partilha que fizeram. Num primeiro momento, foram manifestando os sentimentos que experimentam ao trabalharem connosco no dia-a-dia e nas várias missões a que são chamados a colaborar. Num segundo momento, do diálogo foram surgindo várias interpelações pastorais como: pastoral familiar, pastoral social, pastoral sénior ou dos idosos, a educação cristã das crianças e jovens que frequentam os nosso colégios e respectivas famílias, promoção do voluntariado, os jovens.
 

A Eucaristia final foi presidida pelo Superior Provincial.
 

PP. Abílio Ramos e Custódio Rodrigues Pinto, cmf

 
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