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Dia 14, Terça-feira
10h00 – Acolhimento
11h15 – Saudação e
apresentação dos participantes
Na hora prevista, o
Superior Provincial procedeu ao acto de abertura, com a oração “Reunidos
em Vosso Nome”, pedindo o espírito de bondade e diálogo, de verdade e
fraternidade, para nos realizarmos como pessoas e como comunidades.
Salientou a ginástica
pastoral que muitos teriam feito para estarem presentes, deu uma especial
palavra de acolhimento aos que participavam em eventos destes pela primeira
vez e de simpatia para com os ausentes. Estendeu esta comunhão Provincial
aos claretianos que se encontram em Angola e S. Tomé e Príncipe e às
comunidades religiosas que nos enviaram mensagens, prontificando-se a rezar
pelo bom andamento desta Assembleia. Aos presentes pediu a melhor
colaboração na “criação de uma atmosfera propícia, dinâmica, reflexiva,
criativa e construtivamente crítica”. Centrando a atenção no momento que
a Província Portuguesa vive - próxima Assembleia da Delegação Dependente
de Angola e S. Tomé e Príncipe, próximo Capítulo Geral, construção do
Projecto Missionário da Província (PM) -, concluiu desejando que o
espírito de Claret a todos contagie.
Antes da saída da sala
para participarmos na Eucaristia, o P. António Oliveira, apresentou alguns
livros ultimamente vindos a público com referências a Claretianos.
12h00 – Eucaristia
Após este momento,
celebrou-se a Eucaristia presidida pelo P. José Maia, que, a partir das
leituras do dia e indo ao encontro das preocupações latentes no espírito
pastoral de todos, falou de confiança e credibilidade, como desafios do
mundo a que somos enviados.
15h30 - Projecto Missionário da Província
Com a presença da Dr.ª
Laurinda Alves e do Dr. João Colimão da APEME, organismo que vem fazendo
assessoria à Comissão nomeada para a elaboração do Projecto Missionário, o
P. Vitor Pinto, coordenador dessa equipa, fez uma breve exposição,
assinalando os passos dados: visitas às comunidades, envio de documentação
de trabalho, num processo de descoberta do caminho a seguir, e elaboração do
questionário.
O documento em ordem ao
Projecto Missionário “Contributos para uma reflexão partilhada”, presente
para estudo nesta assembleia, está organizado em duas partes:
- Que visão temos de nós?
- Que visão têm de nós os que nos rodeiam?
Antes de dar a vez ao Dr.
Colimão, o P. Vitor Pinto lembrou as palavras de Bento XVI: “A humanidade
precisa de perguntas. Quando já não são feitas perguntas, até às que se
referem ao essencial e vão além de qualquer especialização, deixamos de ter
respostas”.
Abrindo um tempo de diálogo, a Dr.ª Laurinda Alves, jornalista e membro do
Movimento Esperança Portugal de inspiração cristã, candidata ao Parlamento
Europeu, referiu os quatro pais da Europa, para salientar que a fundação da
união europeia partiu dum sonho não económico, mas humanista de inspiração
cristã. Os europeus estão a construir um projecto de paz, que só é possível
na medida em que continuar o crescimento da partilha, acolhimento,
tolerância, interdependência e perdão.
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Dr.ª Laurinda Alves ladeada pelo Dr. João Colimão e pelo P. Vítor
Pinto.
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Depois tocou no tema
“Portugal na Europa” para salientar que, tendo-se Portugal limitado a
receber, terá chegado a hora de dar, considerando sobretudo a inclusão no
projecto europeu de novos países, oriundos de situações muito mais
precárias. Em sua opinião, Portugal está moralmente interpelado a ajudar os
outros e terá de aplicar a si as palavras poéticas de Khalil Gibran: “Não
perguntes à vida o que ela te pode dar. Pergunta-te o que podes dar à vida”.
Um dos contributos que podemos dar é reforçar o espírito missionário e de
voluntariado potenciando os programas já existentes.
O Dr. João Colimão presidiu ao diálogo.
Seguiram-se vários intervenientes:
- P. António Oliveira:
Citando Sophia de Mello Breyner “sabemos mais do que percebemos”,
deixou a pergunta: Como levar os jovens a aderir afectivamente ao projecto
europeu?
- P. José Maia: Há uma cidadania cristã. Como lidar com ela? Como lidar com
a laicidade? E referiu algumas pistas de abordagem: ética, ecumenismo…
- P. Pina Ribeiro: Insistiu no tema da ética.
- P. José Barros: Pôs a pergunta: Será possível uma moral só laica? O Papa,
na sua recente visita à França, viu elementos aproveitáveis na expressão de
Sarcozy: “laicidade positiva”.
- Dr. João Colimão: Comentou com graça que o Deus da catequese será
entendido como um caminho mais difícil. Daí que não seja de admirar todos os
estratagemas mesmo de ordem intelectual para se esquivarem d´Ele.
- P. Samuel Tumbula: Referiu o pluri-culturalismo. As sociedades atingidas
por este fenómeno vão encontrando cada vez mais a base dos valores que
professam, na declaração universal dos direitos do homem e não na religião.
- Alguém da mesa: Para isto servem as palavras de Bento XVI, acima citadas:
“A humanidade precisa de fazer perguntas. Quando já não são feitas
perguntas, até às que se referem ao essencial e vão além de qualquer
especialização, deixamos de ter respostas”.
- P. Pina Ribeiro: No contexto do Deus mais difícil, referido pelo Dr. João
Colimão, O P. Pina Ribeiro, não sem graça, falou dos “padres da vinagreira”,
padres diocesanos que a quando da expulsão das ordens religiosas em 1910 se
constituíram em equipas de pregadores, continuando as Missões Populares dos
frades. O povo designou-os por “Padres da Vinagreira”, porque falavam não do
céu mas do inferno, não da graça mas do pecado, não da vida mas da morte.
- P. Carlos Ângelo: Perguntou: será que a Igreja está mais preocupada com
defender as suas posições doutrinais do que em responder aos desafios que a
sociedade lhe coloca?
A Igreja apresentada e distorcida nos Media está só preocupada na defesa das
posições doutrinais. Mas a Igreja real está aberta e centrada no povo. É
preciso que a Igreja progrida nesta direcção e que isso seja percebido pelo
povo. As seitas são exímias no “serviço de apoio ao cliente”.
- P. Danilo Trovoada: A economia manda no mundo. Como falar com autoridade
se se não produz? A resposta está na criação dum mundo mais justo, numa
esperança que não assenta só em números.
A Dr.ª Laurinda Alves ao
longo deste diálogo, além do testemunho de crente cristã, foi expondo as
suas convicções, resumidas nas palavras que se seguem:
- Sente que os jovens
estão dispostos a ouvir e a perceber a história do projecto europeu e,
quando entendem, ligam-se afectivamente. Os jovens têm de ser ajudados a
reorganizar critérios e prioridades.
- Uma dificuldade é a sociedade individualista. Tudo é pensado e feito à
“escala de um”;
- Ilusão da modernidade: Os meios de comunicação social e as forças
políticas apresentam-nos algumas coisas como sinais de modernidade e, por
isso, melhor aceites;
- Vale a pena estar atentos às associações e movimentos também ecuménicos.
- Há muitas pontes, caminhos e portas abertas e a abrir;
- Tudo o que se construiu no mundo, só foi possível pela esperança. Sem
esperança nada se constrói.
Iluminados pelo diálogo e
a partir daquilo que sabemos e podemos observar, após um breve intervalo
para lanchar, fomos convidados, divididos em grupos, a descobrir as
oportunidades e ameaças que a sociedade actual apresenta aos missionários
claretianos.
19h00 – Vésperas.
Ao órgão, nesta e nos
demais momentos comunitários de oração, esteve o estudante João Carlos.
Neste momento de oração, o
P. Américo Maia, na base da leitura proclamada, salientou que Cristo
Ressuscitado é fonte de alegria, sabedoria, coragem, paz (shalom),
reconciliação, envio, presença(s) no quotidiano. O Ressuscitado continua a
ter impressos os estigmas da Paixão. A novidade de Cristo Ressuscitado
revela-nos o rosto de um Deus que nos des-projecta, que põe em causa os
projectos humanos. Tenha-se isto presente ao elaborarmos o nosso Projecto
Missionário.
21h00 – Convívio:
Apresentação (multimédia)
das nossas comunidades, com vídeos e fotos.
Momento
aproveitado por algumas comunidades, principalmente a da Cúria Provincial.
Também o Departamento de Evangelização Multimédia (DEM) aproveitou a ocasião
para se dar a conhecer.
Dia 15, Quarta-feira
08h00 – Laudes, orientadas
pelo P. Joaquim Maia.
10h00: Apresentação do estudo pedido à APEME
Momento introduzido pela
oração, constante do guião do encontro e intitulada “SÓ DEUS”, rezada
em dois coros alternados, europeus e africanos, para assinalar o facto de,
pela primeira vez, uma Assembleia Provincial ter a presença dum tão
significativo número de africanos.
De seguida, o Superior
Provincial fez a apresentação dos elementos da APEME:
Drs Carlos Liz, João Colimão e Dr.ª Elsa Gervásio.
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Superior Provincial apresenta a equipa da APEME
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Distribuído pelos presentes o estudo preparado pela APEME e intitulado
“Projecto Missionário da Província Portuguesa, contributos para uma reflexão
partilhada”, o Dr. Carlos Liz começou por fazer a apresentação do mesmo,
centrando-se nos objectivos para os próximos 10 anos.
Temos uma identidade própria. Um claretiano seja claretiano
independentemente da actividade que exerça. Quais os ingredientes dessa
identidade?
Reportando-se ao
inquérito, que serviu de base ao presente estudo, disse que as respostas
revelam uma vontade de “SAIR DE CASA” para ir ao encontro dos
apelos que chegam como desafios.
Especialista na matéria, salientou como importante o modelo para pensar o
projecto missionário: Mundo – Recursos – Carisma, elementos que devem
estar sempre inter-relacionados.
Convidou os missionários a não terem medo. A desorientação do mundo é uma
oportunidade óptima para os religiosos.
De seguida, pôs a assembleia em contacto com a síntese dos resultados do
questionário, que constava no documento referido em cima.
11h15 – Diálogo em grupo
Os grupos já estavam
constituídos pelos organizadores da assembleia, bem como os locais
devidamente identificados, tendo por isso sido fácil o aproveitamento do
tempo.
Tratava-se de procurar nos
gráficos:
- O que é muito importante e fácil? Para identificar aquilo que é necessário
aprofundar para nos aplicarmos mais.
- O que é muito importante e difícil? Para identificar aquilo que são os
grandes desafios.
No final os relatores
entregaram aos membros da APEME as aportações resultantes deste diálogo.
15h30 – Continuação dos
trabalhos
Apresentação do Dr. Carlos
Liz do da síntese do diálogo em grupo, segundo os dados fornecidos pelos
relatores. Os dados recolhidos considerou-os muito importantes, pois o
objectivo sempre presente é que o futuro projecto da Província seja obra de
todos os seus membros e não dum qualquer gabinete por melhor que seja. Eis o
que recolheu e devolveu à Assembleia:
Sublinhar ou incluir com
mais detalhe os seguintes tópicos:
•
A riqueza da Multiculturalidade – novas sínteses culturais e oportunidades
para a construção do diálogo ecuménico, ao mesmo tempo que fica favorecida a
renovação das linguagens e a importância de instituições/ figuras globais
•
Requalificação do Envelhecimento, o valor da sabedoria, o imperativo ético
de não desperdiçar conhecimento e de dignificar a vida humana em toda a sua
extensão
•
O Novo Humanismo, o fim das oposições laico-republicanas vs cristão
clerical, o espaço para afirmação de propostas espirituais no meio das
outras bem como a possibilidade de consolidação de um espaço de paz e
democrático
•
A tomada de consciência dos leigos enquanto parte activa e relevante nos
destinos da Igreja – trazendo para dentro da Igreja uma (ainda) nova
sensibilidade social
Aprofundar os seguintes tópicos:
•
A valorização da Eucaristia como um acto essencial – fuga à rotina,
centralidade do Altar, envolvimento dos leigos enquanto participantes
activos na celebração, bem como encontrar formas de atracção para os que
estão afastados
•
Clarificar os papeis de religiosos e leigos na definição do poder e das
tarefas nas obras dos Claretianos, encontrando pontos de equilíbrio
eficazes, tendo em conta as competências específicas dos leigos,
segmentando-os
•
Reflectir e ensaiar novos modos de viver em comunidade, realçando a dimensão
familiar e mesmo fraterna e criando uma cultura de comunicação permanente
entre todos, mesmo quando à distância
•
Empenho de toda a Província, independentemente da área de actuação na
Pastoral Vocacional, evitando percepções menos atractivas sobre o estilo de
vida do Consagrado e evitando a dissolução da marca Claretiana
Enfrentar os seguintes desafios:
•
Desenvolvimento e crescimento espiritual intra e inter Província – dar
resposta testemunhal à procura de sentido
•
Necessidade de rever os moldes de envolvimento da Província na Pastoral
Vocacional – uma missão de todos
•
Necessidade de maior afirmação da identidade Claretiana – cultivar
espiritualmente os valores de Claret
Sair de Casa: na nossa comunidade, nos colégios, nas paróquias, capelas
públicas e reitorias, nas obras sociais, na animação de vida consagrada, nas
missões em África, foram os vários sectores definidos. Cada grupo dedicou-se
apenas um deles e procurou identificar o que nos motiva, o que podemos fazer
e como nos podemos preparar.
17h30 – Mesa-redonda, orientado pelo Dr. Carlos Liz
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Mesa-redonda com os relatores dos grupos orientada pelo Dr. Carlos
Liz
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Evocou-se de novo o lema
da Assembleia: “Sair de casa para a imensidão inesgotável”. Os relatores
apresentaram o resumo do diálogo havido na reunião de grupo: o porquê ou as
implicações do SAIR DE CASA em cada uma das áreas pastorais.
19h00- Eucaristia.
Presidiu o P. Correia de
Oliveira. A homilia, na base das leituras, salientou:
- Somos amados, somos salvos.
- Não somos nós a salvar-nos. É Ele quem nos ama e salva.
- Só amamos, quando percebemos que somos amados.
21h00 – Convívio
O P. João Luís e o leigo
José Pedrosa, que se deslocou a Fátima para esta intervenção, apresentaram a
procuradoria das Missões, referindo, entre outras coisas, as áreas de
intervenção:
- Formação e recrutamento
- Angariação de fundos em ordem a projectos a apoiar
-
Divulgação/multimédia
- Acção sócio/pastoral
- Coordenação
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O. P João Luís e o Sr. José Pedrosa apresentam a Procuradoria das
Missões
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O P. Joaquim Maia deu a
conhecer algumas das actividades que a Equipa de Pastoral Juvenil Vocacional
tem realidade a partir das comunidades do sul do país.
Depois foi a
vez do estudante João Carlos expor os objectivos e actividades que se
realizam no Seminário Maior Claretiano.
Dia 16 – Quinta-feira
08h00 – Laudes e Eucaristia.
Presidiu o P. Carlos
Ângelo. Partindo do Evangelho do dia, falou da importância do corpo e da
necessidade de o integrarmos na nossa vivência, para que o anúncio do
Evangelho que façamos esteja alicerçado numa teologia da corporeidade. E
lembrou que o Papa João Paulo II se referiu à Capela Sistina, aquando do
restauro da mesma, como “Santuário do Corpo Humano”.
10h00 – Síntese e próximos passos para o Projecto Missionário
O Dr. Carlos Liz tomando a
palavra, referiu com entusiasmo a homilia da Eucaristia do dia anterior,
dizendo que ela faz parte do Programa. E utilizou o ditado “Menos cordura
(sensatez) e mais loucura”. E, convidando cada um a pensar no
contributo que quer dar para aquilo que parece impossível. Retomou o tema da
humildade, pois é esta que torna possível a convergência. O Programa é uma
viagem. Viagem de 10 anos. “É muito tempo”, como diz a canção de
Paulo Carvalho. É uma peregrinação. Viajar pelos campos… Campos tão
variados: rurais e urbanos, físicos e virtuais, amigos e inimigos, já
conhecidos e nunca vistos, os dos mapas e outros que nem o GPS detecta.
Peregrinação que supõe preparação tanto cuidada como entusiasta.
Eis a síntese que fez dos trabalhos de grupos do dia anterior:
Sair de Casa na Animação
da Vida Consagrada, nas Obras Sociais, nos Colégios, na Nossa Comunidade,
nas Paróquias, nas Capelas Públicas e Reitorias, nas Missões em África, com
uma motivação comum:
“Anunciar
Jesus Cristo”, “por convite do próprio Deus”, “para Evangelizar educando”,
“porque a Caridade de Cristo nos impele”, “para enriquecer a própria Vida
Religiosa”, “pela motivação inicial dos nossos Fundadores”, mas também por
querer “ir ao encontro do desconhecido”, pela “expectativa em receber e
partilhar” enriquecendo com a diferença, por “conferir um rosto no país e no
mundo à Vida Religiosa”, por “sermos poucos”, porque o nosso coração se
compadece com “as necessidades que há”, porque o “mundo da cultura pede a
nossa intervenção”, porque queremos “partilhar a vida “e “criar comunhão”
Vemos como há muito que “podemos fazer”:
Na Casa de
Espiritualidade, na animação da Vida Religiosa e ajuda espiritual, na
criação de revistas, no aproveitar qualitativo dos media, na maior Atenção a
tudo, numa sensibilidade renovada à leitura encarnada do Evangelho, no
envolvimento da comunidade educativa e das famílias, no desenho de novos
tempos e lugares para evangelizar, na redescoberta da Humildade, na
Revelação do espírito da Comunidade para além do formato grupo saboreando a
transpessoalidade dos discípulos do Senhor e o seu gosto de se conhecerem,
oferecerem o seu ombro na desolação, na criatividade de se ser zeloso e
vincar a nossa dimensão cordimariana, na convicção de que só há informação
que valha a pena se for nos 2 sentidos, na proximidade à África geo-distante
e emocionalmente tão perto da nossa vida e história, na disponibilidade para
a Missão…
Importa fasear e
monitorizar. Ter a coragem de conferir os passos, identificar os desvios,
aprender com eles, convocar a motivação fundadora dos nossos passos e
retomar a estrada. E, como dizem os grupos:
Conhecer previamente a realidade, estudando-a e observando-a de perto, até
para sintonizar mentalidades, requalificar a Vida Comunitária, investir na
comunicação como no silêncio, inventar espaços dinâmicos que nos tornem mais
juntos e nos formem espiritualmente, formando-nos como interlocutores dos
cientistas sociais e conhecendo a fundo a Doutrina Social da Igreja, deixar
renascer o interesse por cada um de nós e dos outros como Pessoa Única
saboreando as diferenças e gerando a adaptação inteligente e amorosa que
promove o sentido de comunidade, não resistir a sermos os primeiros a
assumir o que depois iremos transmitir aos outros, todos os dias a aprender
a arte da disponibilidade, só possível na medida em que nos deixarmos tocar
pela Palavra de Deus.
Seguidamente, apontou três linhas de força:
- Reforço do espiritual na vida e na acção dos claretianos
- Trabalhar pela coesão interna da Província: convergência na
diversidade.
- Subir no patamar do conhecimento.
No final desta
intervenção, o Dr. Carlos Liz despediu-se da Assembleia.
O P. Provincial
dirigiu-lhe palavras de agradecimento em nome de todos os missionários
Claretianos da Província Portuguesa.
11h30 – “A caminho de 2010”
Este momento foi aberto
com a oração: “Tudo para a glória de Deus” (Claret), constante do
guião.
De seguida, e a partir da
sua condição, o Superior Provincial fez uma resenha da vida da Província
desde a Páscoa de 2007, altura em que foi eleito para o cargo.
Referiu-se a este período
como sendo um tempo de bênção, de aprendizagem reactiva e pró-activa.
Embora tenha sido tempo de
muitas comemorações, as comunidades requereram-lhe o melhor da sua
dedicação. Valorizou e enalteceu os superiores ao assumirem o seu papel. Na
carta pós-visita canónica, fala-se de sementes de esperança e gérmenes de
preocupação. Entre estes está a questão do futuro dos irmãos missionários.
Como maiores desafios,
elencou:
- A contínua motivação, articulação e coesão do Governo
Provincial.
- O atrevimento do Projecto Missionário e a
serenidade / profundidade no debate durante todo o processo de elaboração.
- A perseverança no acompanhamento e respeito pelo caminho da
consolidação da Delegação Dependente e seu Governo.
- A credibilização dos superiores locais e sua qualificação
contínua.
- A valorização e envolvimento dos nossos mais idosos na
dinâmica geral da Província.
- A co-responsabilidade de todos nos assuntos e nos encargos de
nomeação provincial.
12h00 –
Vídeo-conferência/online
Com algumas dificuldades,
conseguiu-se estabelecer o contacto “online” entre o Superior Provincial, o
Bispo, D. Manuel António, e o P. Romualdo Almeida, Superior do Governo da
Delegação Dependente de Angola e São Tomé e Príncipe, tendo participado
também o P. Miguel Gomes.
O D. Manuel António e o P.
Miguel Gomes saudaram os claretianos presentes na Assembleia e partilharam
connosco um pouco das canseiras pastorais próprias das celebrações da Semana
Santa e alegria de festejar com o povo cristão de S. Tomé a Ressurreição de
Jesus Cristo.
O Superior Delegado, P.
Romualdo Almeida, em breves palavras falou do caminho percorrido pela
Delegação Dependente no pouco tempo da sua existência. Disse-nos ser um
caminho marcado pela esperança e pela falta de recursos: pessoas e
financeiros. Comunicou-nos, ainda, que na Assembleia da Delegação, marcada
para a segunda semana de Junho, em Luanda, procurarão respostas nas três
áreas da nossa vida: vida comunitária, pastoral e formação, para a
inquietação: “Que fazer para melhorar a vida e a missão dos claretianos em
Angola e S. Tomé e Príncipe?”
15h30 – Prefeitura da Espiritualidade.
Este momento foi aberto
pelo P. Provincial com a oração: “Damos-Te, graças, ó Deus”,
constante no guião da Assembleia.
O P. Pina Ribeiro, tomando
a palavra, agradeceu por antecipação a paciência dos presentes e expôs
vários pontos para diálogo:
- Bicentenário de Claret.
Que balanço, que impulso ficou para o futuro?
Os objectivos
eram: fazer memória, divulgar e celebrar a figura de Claret nas nossas
obras. Foram concretizados?
Se tivéssemos de deixar alguma das nossas obras, ficaria lá
algum sinal e perfume da nossa presença?
- Projecto
“Eucaristia e Missão”
Que utilização temos feito dos materiais colocados no sítio da
Congregação – www.claret.org, pelo P. Gonzalo Fernández, Prefeito Geral de
Espiritualidade?
Está mandado que todos os claretianos celebrem ou participem
diariamente da Eucaristia. Como se vem cumprindo esse indicação?
-
Constituições
Que leitura, que releitura, que memória, que interiorização?
- Retiro
mensal e anual
Que é feito desta regra?
- Presença nos
momentos fundantes da comunidade: oração, refeições, reuniões, trabalho em
equipa.
Que presença e que qualidade de presença?
- Ascese
Ainda se usa?
- Clima de
esperança e de alegria
É este o clima que se vive nas nossas comunidades?
Comunidade sem alegria é candeia (comunidade) que se apaga.
Fala-se de crise. Como estamos de confiança em Deus? Ter-se-á
esgotado a criatividade de Deus?
Aberto o diálogo, na base
destas três pistas, houve as seguintes intervenções:
- P. Correia de Oliveira:
Andamos a colocar remendos. Este projecto não será mais um? Falamos mal de
nós mesmos. Dizemos mal de nós mesmos.
- P. Danilo Trovoada: O nome de “claretianos” não terá sido um
empobrecimento por comparação com o de “Missionários do Coração de Maria”? A
mudança de nome não terá significado mudança de acentuação? Teremos
continuado a valorizar do mesmo modo a Maria e cordialidade de Maria?
- P. Vitor Pinto: A insegurança deve aceitar-se como um dado que hoje se
impõe. Hoje vive-se a insegurança.
A nossa deve ser uma “insegurança tranquila” que nos vem da fé.
Inseguros, mas tranquilos.
Há também a tentação da “demissão”.
Sendo missionários, se nos demitimos, negamo-nos a nós próprios.
O nosso pecado, se é nosso, não seja transmitido ao outro. Pecado
extra-polado é potenciado exponencialmente.
- P. Pina Ribeiro: Os últimos capítulos gerais de vários institutos foram
sobre a identidade. O nosso também vai nessa linha.
O Superior Provincial
encerrou este momento de diálogo, agradecendo ao P. Pina.
16.15 – Prefeitura da
Formação e Pastoral Juvenil Vocacional
O P. Abílio Ramos tomou a
palavra e deu algumas informações relativas a esta prefeitura:
- Em Arimba (Lubango – Angola), foi aberta nova casa de formação que será
benzida no próximo 13 de Junho.
- Encontro de estudantes da IBERIA, em Fátima, de 30 de Abril a 3 de Maio.
- Encerramento da semana vocacional claretiana, a 3 de Maio, em Fátima
Depois recordou os pilares
do Projecto de Pastoral Juvenil e Vocacional e foi referindo o que de
positivo se tem alcançado e as dificuldades e resistências que ainda se
encontram.
Provocando o diálogo,
perguntou:
Como diminuir o fosso
entre a importância que atribuímos à Pastoral Vocacional e a dificuldade em
empenhar a província, de colaboração das comunidades com a Equipa de
Pastoral Juvenil Vocacional, em acolher e acompanhar os jovens que querem
ser missionários?
- P. Samuel Tumbula: Pediu
dados mais concretos sobre a acção da equipa.
- P. Abílio
Ramos: Respondeu que são cerca de seis os adolescentes e jovens que estão a
ter acompanhamento vocacional. Na resposta evocou a dificuldade em cumprir a
pedagogia da pastoral vocacional do Senhor expressa no “Vinde e vede”. E
aventou a necessidade duma comunidade que pudesse responder convincentemente
a esses requisitos.
- P. Américo Maia: É da opinião que a pastoral vocacional deveria ser mais
explícita, com mais declarada valorização dos nossos símbolos.
- P. Jerónimo Trigo: Retomou o tema do “Vinde e vede” para dizer que é
preciso ter cuidado com tais frases.
- P. Custódio Pinto: Disse da sua convicção de que não seria de se ter tanto
receio do tal “Vinde e Vede”, uma vez que os jovens estão aptos a encarar as
dificuldades do mundo e da Igreja, e que estas podem até funcionar como
estímulo e motivação. Haja, isso sim, verdade e humildade na exposição da
situação, bem como cultivo de atitude de escuta dos apelos de Deus e do
mundo, do mundo com fome de Deus e de Deus que nos quer enviar ao mundo.
- P. Vitor Pinto: Pede que esta responsabilidade seja assumida por todos.
Cuidado com os objectivos que nos propomos. Sejam exequíveis.
- O P. Provincial encerrou o debate, agradecendo ao P. Abílio Ramos a
liderança desta Equipa de Pastoral Juvenil Vocacional.
17h30 – Prefeitura de
Economia
O P. João Luís toando a
palavra e alinhando humoristicamente com a temática da crise hoje
diariamente badalada na comunicação social, afirmou que a verdadeira crise é
a crise da competência para gerir esta prefeitura.
Seja como for, ela aí está
no terreno e mesmo o Superior Geral refere-se-lhe. É uma realidade nova que
pede diálogo e participação, comunhão e testemunho, esforço conjunto.
Precisamos de nos pormos todos a caminho: viver com austeridade, poupar,
evitar gastos desnecessários, encontrar outras formas de receitas, saber
renunciar, fazer sacrifícios e partilhar com os mais pobres, trabalhar sem
ter apenas a intenção económica.
Enquanto Prefeito da
Economia, tem tentado estar atento às necessidades e tentado encontrar as
melhores soluções, tem procurado agilizar processos e assessorar-se de
pessoas competentes: contabilistas, informáticos, advogados.
A respeito da Delegação
Dependente, observou que ela é a primeira instância de estudo dos
orçamentos, antes da decisão final do Governo Provincial, e que é preciso
irmo-nos habituando a respeitar esta instância nova.
Depois apresentou a
realidade económica da Província, explicitando alguns assuntos em vias de
resolução, e finalizou indicando alguns desafios para futura na sua área.
18h30 – Dado que o dia
seguinte seria dedicado a tratar de assuntos relacionados com a área da
Prefeitura do Apostolado e que não haveria apresentação de comunidades e
obras no convívio da noite, encerramos os trabalhos desta tarde dando a
palavra ao P. Jerónimo Trigo para que apresentasse brevemente o Colégio Pio
XII e obras envolventes.
19h00 – Momento de oração
O P. Carlos
Candeias, na capela orientou um momento de oração, fornecendo um pequeno
guião, que inspirou uns momentos de silêncio e cuja ideia dominante era:
deixar-se encontrar pelo Vivente.
Dia 17, Sexta-feira
08h00 – Oração da manhã
O P. Francisco de Assis
dirigiu as laudes e, a partir da leitura do dia, deixou no ar estas
perguntas:
- Quem nos poderá impedir de anunciar em nome de Jesus?
- Quem nos poderá impedir de levar por diante o Projecto Missionário.
- E afirmou: estamos a viver dias de bênção!
10h00 – Assuntos vários
O P. Artur Teixeira abriu
este momento com a oração “Mãe do divino amor…”
De seguida, avançou com a proposta duma reunião do Conselho Permanente para
daqui a cerca dum mês.
Querendo valorizar o papel
dos que já entraram na idade dos 65 anos, propôs uma reflexão sobre o tema.
A proposta não mereceu entusiasmo da Assembleia. Foram do teor seguinte as
intervenções:
- P. Jerónimo Trigo: A
questão não é etária. É de saúde, perda de autonomia. Isso nem sempre está
relacionado com a idade.
- P. Correia de Oliveira: O problema é afectivo. Sensibilizarmo-nos por
estes irmãos. Quando estão hospitalizados, visitamo-los? Se não, eles
sentem-se humilhados, por comparação com os outros doentes na mesma
enfermaria.
- P. Pina Ribeiro: A Província não seja tomada como empresa, mas como
fraternidade. Olhemos para o que cada um é capaz de ser e de fazer. Não
olhemos a números (65 anos). Olhemos à situação de cada um. Mesmo com muitas
limitações o ministério sacerdotal oferece muitas possibilidades. Que
fazemos da tradição dos confessores e directores espirituais? Que belo
trabalho se poderia fazer, e que de facto tem sido descuidado: o atendimento
e acolhimento ao serviço de toda a gente.
P. Vitor Pinto: Dizia o Dr. Carlos Liz: “Olhai para os tesouros que tendes
entre vós!” A Bíblia fala do valor dos sábios, os mais velhos. Na promoção
vocacional tenha-se isto presente.
P. João de Freitas: Que os mais novos não se preocupem muito connosco. Que
vivam a sua vida e deixem-nos continuar a nossa dedicação.
P. Jerónimo Trigo: Evitemos os discursos redondos, como se faz numa situação
concreta em que alguém fica numa dependência total.
P. José Maia: A sociedade civil evoluiu. Em vez de internamentos em lares, o
apoio domiciliário, os anjos da noite (ajuda de pessoas de fora da
família para que a família descanse)
Antes do intervalo, o P.
Abílio Ramos, Secretário Provincial, tomou a palavra para fazer alguns
avisos breves sobre assuntos de secretaria.
11h30 – Para este momento
foram feitas três propostas:
a)
Encontro de párocos, vigários paroquiais e reitores. Este encontro fio
coordenado pelo Superior Provincial e pelo Prefeito de Apostolado Justiça e
Paz, P. José Maia. Teve como base um artigo da Voz portucalense de 8 de
Abril de 2008: “Bento XVI e os ‘afastados’ nas paróquias”. Foram abordados
vários assuntos relativo a essas realidades pastorais.
b)
Encontro de pregadores de retiros e conferencistas. Foi coordenado pelo P.
Pina Ribeiro.
c)
Preparação da eucaristia final e oração mariana na capelinha.
15h30 – Encontro Pastoral com líderes das Paróquias/Capelas Públicas,
Colégios, Casa de Acolhimento e Fundações
O P. Provincial tendo
aberto este momento com a oração “Reunidos em Vosso Nome”, do guião
preparado para a Assembleia, disse que a alegria pascal que sentimos sai
reforçada com a chegada dos leigos e pediu que houvesse uma breve
apresentação pessoal, enfatizando: “aqui cada um tem voz e vez!”.
Estiveram presentes leigos
que trabalham com os missionários claretianos nas paróquias de Agualva e
Setúbal, nos Colégios dos Carvalhos e Pio XII e na Fundação Filos.
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A Assembleia
contou com alguns leigos que trabalham connosco
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O P. Trigo fez um momento
formativo, a que deu o título: “Espiritualidades hoje e vida cristã”
desenvolvido em três pontos.
1º) Espiritualidades ou
espiritualidade
- Tema na moda.
- Costumam, no entanto, dizer (também na Universidade): isto nada tem a ver
com religião. É espiritualidade laica, pelagiana (podemos salvar-nos por
nós).
- Espiritualidade com patamar baixo, uma terapia humana. É isto que se
cultiva nas escolas de enfermagem e que constitui o maior atentado ao
cristianismo.
- Não é só ateísmo. É proposta de paganismo com nomes cristãos.
2º) Espiritualidade cristã
- Disto falamos nós. “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida”.
- “Vida” aparece como fundamental no cristão. Dom de Deus é o Espírito
Santo. É desta espiritualidade que falamos.
- Pelo baptismo já não somos só humanos, mas divinos. Somos habitados por
Deus.
3º) Partir de Cristo
Espiritualidade, a partir de Cristo.
Ele é o Primogénito de toda a criatura.
O acontecido em Belém tem um valor cósmico.
É ele que nos merece o Espírito Santo.
A espiritualidade é um dom.
E o dom transforma-se em dever.
Em S. António Mª Claret vê-se esta espiritualidade.
“O Senhor disse-me: Não sois vós que falareis. O Espírito de vosso Pai (e da
vossa Mãe) é que falará por vós”. (Aut. 687)
O P. Trigo concluiu este momento:
Deus fez-se homem. Se a espiritualidade não for humanizadora não é
espiritualidade cristã.
A espiritualidade é operativa.
Podemos fazer muitas coisas, mas é o Espírito Santo a dever orientar-nos.
A espiritualidade também supõe um caminho, uma pedagogia do Espírito para
introduzir as pessoas na vida do Espírito Santo, na espiritualidade cristã.
Depois deste tempo
dedicado à formação, o P. José Maia introduziu o momento de diálogo
contextualizando a presença dos leigos nesta Assembleia Provincial e na
elaboração do Projecto Missionário. Teceu algumas considerações sobre a
maneira como os claretianos entendem a “Missão Partilhada” e, dirigindo-se
aos leigos presentes na Assembleia, disse que, se os convidamos, é porque os
sentimos associados ao nosso carisma.
Aludindo às linhas de
força para a construção do Projecto Missionário já referidas, sintetizou: “Queremo-nos
mais espirituais, mais unidos, mais cultos”.
Houve bastante
participação dos leigos presentes e foi muito rica a partilha que fizeram.
Num primeiro momento, foram manifestando os sentimentos que experimentam ao
trabalharem connosco no dia-a-dia e nas várias missões a que são chamados a
colaborar. Num segundo momento, do diálogo foram surgindo várias
interpelações pastorais como: pastoral familiar, pastoral social, pastoral
sénior ou dos idosos, a educação cristã das crianças e jovens que frequentam
os nosso colégios e respectivas famílias, promoção do voluntariado, os
jovens.
A Eucaristia final foi
presidida pelo Superior Provincial.
PP. Abílio
Ramos e Custódio Rodrigues Pinto, cmf
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