Visita do Provincial

a Yaoundé

 

 

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De Yaoundé, Camarões

24-25 de Novembro de 2009

Bonjour!
Graças a Deus cheguei bem a Yaoundé, ao final da tarde de ontem, melhor dizendo noite dentro, praticamente um dia depois de ter saído da Cúria Provincial de Lisboa, mas as ligações assim o exigiram. Fiz Lisboa-Bruxelas no final da tarde e noite do dia 23 (reclinei a cabeça e madruguei para estar a tempo do vôo principal: Bruxelas-Yaoundé).

A entrada nos Camarões por volta das 17 horas do dia 24 fez-se dentro da normalidade e a bagagem também cá chegou direitinha e completa. Melhor para os nossos, pois trago-lhes vários livros formativos em portugués e outros subsídios.
À minha espera estavam o superior regional dos Camarões, P. Michel Tigui, que é também superior do Teologado e Prefeito de Formação da África Central, um diácono e o nosso estudante Miguel Lino.

Fizemos os 25 km do aeroporto até nossa casa, que me permitiram conversar sobre a viagem e, claro, mudar o registo e ambientar a este lugar, terra de missão, assim como ao clima mais quentinho que em Lisboa, mas bastante temperado para o habitual. A paisagem marcadamente verde e o trânsito intenso àquela hora do dia pelos caminhos citadino-rurais pouco iluminados ficaram-me gravados na retina. Chegámos bem ao nosso Teologado, numa área também habitada por outros Institutos Religiosos.

Depois de acolhido e bem acomodado, saudei pessoalmente os 25 Estudantes, os três membros da Equipa Formativa (para além do P. Michel Tigui, já referido atrás, os PP. Rodolphe Mbida e Protais Mubwaki) e outro claretiano membro da comunidade, P. Donatien, que aqui se encontra a realizar estudos de especialização em comunicação e que eu conhecera no Encontro Missionário de África na Tanzânia. A todos encontrei com boa saúde e com uma alegria contagiante.

Como o telemóvel não captou a rede que aí uso, nem as destas terras, dei-lhe descanso. À noite também não era oportuno perguntar pela internet. Assim que, depois do jantar e do recreio comunitário, passado a conversar e a assistir entusiasticamente ao Barcelona-Inter, enquanto as pestanas mo permitiram, deixei para esta manhã este primeiro contacto, já depois de termos despertado (5:25), celebrado eucaristia com laudes cantadas (6:00) e tomado o pequeno-almoço (7:00).
Agora os nossos Estudantes foram para as suas aulas. Eu aproveito para estudar o projecto comunitário deste Teologado de Nkolbisson.

De tarde, já começarei os diálogos pessoais com o Koia, o Kibeto, o Silvestre, o Miguel, o César e o André, membros professos da nossa Província. E uma vez terminados, reunirei com o grupo dos seis para assuntos formativos, comunitários, da Delegação, Província e Congregação, isto até sexta-feira.

Procurarei nestes dias visitar o Centro de Estudos onde se frequenta a Teologia. EM princípio, no fim-de-semana irei ao Noviciado, em Ekali, a aproximadamente 15 Km daqui. Na 2ª feira, dia 30, festa do apóstolo Santo André, teremos aqui a instituição de leitores e acólitos. No dia seguinte, 1 de Dezembro, terminarei esta visita e viajarei, noite dentro, novamente para Bruxelas, seguindo depois nesse dia 2 para Lisboa. Bem, aqui fica esta partilha do programa, nas suas linhas gerais, para que reforcemos a comunhão.

Um abraço in C.M.
Até à próxima.


P. Artur Teixeira, cmf

 

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De 26 de Novembro a 1 de Dezembro de 2009


Ora viva!


Volto a dar notícias, agora que a luz e a internet (pouco concorrida) mo permitem.
Depois das conversas no dia 25 com os Estudantes que estão no último ano de Teologia, o Silvestre Mwenkufange, o Fernando Koia e o Alberto Kibeto, a 26 de Novembro, após a eucaristia matinal com laudes e do pequeno-almoço, fiz uma visita à École Théologique Saint Cipryen que é frequentada pelos nossos jovens e por muitas outras Congregações, centro que está filiado com o Teresianum de Roma.
 


Teologado de Yaoundé.

Saudei alguns professores e pude ainda dialogar com o director, o P. Elvis Elengabeka, missionário espiritano. Depois realizei uma breve visita à Universidade Católica da África Central que existe aqui na região. Ao final da manhã, e sempre acompanhado pelo P. Michel Tigui, fui à paróquia local, Charles Lwanga – Nkolbison –, orientada pelos claretianos, onde vários dos Estudantes exercem os seus apostolados e, para além de saudar a comunidade paroquial e o grupo dos 7 postulantes e seu formador, pude ainda aperceber-me do trabalho pastoral e educativo que desenvolvem naquela área, assim como apreciar as obras que estão a decorrer para aumentar a capacidade de resposta da igreja paroquial e espaços de apoio, mas já não sobrou tempo para entrar no orfanato contíguo e que fora iniciado pelo P. Hugo Ríos, cmf.
 


Eucaristia (ministérios de leitorado e acolitado).

A meio da tarde e à noite tive os encontros pessoais com os três mais novos: o André Satchikuata, o César Sacramento e o Miguel Lino. Todos enviam cumprimentos e se sentem muito agradecidos por esta visita e pela partilha da sua vida quotidiana.

No dia 27 tivemos a nossa grande reunião, os 7, beneficiando do facto dos nossos Teólogos não terem aulas em respeito pela tradição dos irmãos muçulmanos, e assim a manhã ficou toda por nossa conta. Dialogámos sobre a Congregação, sobre a PPCMCM -» Projecto Missionário, Delegação DASTP, Capítulo Provincial,... e, obviamente, sobre o Plano Provincial de Formação (PPF), abordando ainda assuntos específicos desta comunidade formativa. Para se ficar com uma perspectiva de todo o PPF e os nossos membros darem as suas opiniões e sugestões, demorámo-nos neste ponto o tempo necessário, mas isso permitiu-nos aprofundar vários aspectos e etapas que lhes dizem particularmente mais respeito.

Num breve intervalo para respirar da “maratona” matinal, os nossos jovens aproveitaram para assistir ao filme das missões da Iberia. De seguida fomos almoçar e em vez da “sesta”, voltámos a reunir-nos para concluir e dar lugar às últimas perguntas e respostas. Enalteço o interesse e a participação activa de todos, dando o melhor e ultrapassando até o desgaste pelo intenso calor que se fazia sentir. Valentes!

Pelas 16 horas os lusitanos e o P. Michel Tigui saímos de passeio pela periferia e capital. Subimos à colina mais alta para junto ao mosteiro beneditino e a um gigante penedo que contém uma imagem da padroeira dos Camarões, a Senhora Rainha dos Apóstolos, verdadeiro lugar de peregrinação mariana, nos deixarmos encantar pela panorâmica de Yaoundé. Avistámos e passámos junto a lugares belos e requintados (o Palácio Presidencial, a Assembleia Nacional, várias Embaixadas e a Nunciatura, alguns Ministérios Governamentais, a Câmara da Cidade,...) e, claro, muitos outros, que impressionam pela extrema pobreza e dureza da vida. Já no centro da cidade, entrámos na explêndida catedral de Yaoundé.
 


Catedral de Yaoundé.

Mais tarde, já depois de um refresco, caminhámos junto à principal mesquita, a abarrotar de fiéis, e misturámo-nos com a multidão nas apertadas ruas de modo a saborear um petisto tradicional daqui, apelidado de soya (duvido se se escreve assim, mas partilho que são pedaços muito pequenos de carne assada à pressa, pois há várias dezenas mais nessa banca à espera de agarrar a dose seguinte).
 


Estudantes na Assembleia Nacional - Yaoundé - com P Michel Tigui.

Regressámos à noite ao Teologado, para um jantar que já sabíamos previamente que iria ser muito leve.

No dia 28, sábado, a missa deu a tónica inicial e bela para todo o dia. Sim, porque aqui as celebrações são extraordinariamente bem preparadas, vividas e muito participadas. Imaginem 30 vozes, acompanhadas de incríveis sons de vários instrumentos musicais, convidando o corpo a expressar o ritmo que eleva a Deus o melhor louvor. Muito obrigado, caríssimos membros desta comunidade, por me darem esta oportunidade de partilhar convosco estes momentos celebrativos.

Depois do pequeno-almoço, segui com o P. Michel rumo ao novo noviciado em Ekali, mas antes parámos na magnífica basílica dedicada a Maria, Rainha dos Apóstolos, em Mvolye - Yaoundé. Incrível arquitectura, recheada de arte africana e em que a madeira local, talvez uma das mais visíveis riquezas do país, impressiona.
Seguimos depois por Akono, para eu conhecer o local do anterior noviciado e voltar a ficar maravilhado com a igreja local que os espiritanos aí construíram, a precisar agora de uns retoques grandiosos e, certamente, milionários. Nesse sentido, decorria um ensaio com um grupo de profissionais franceses de música barroca e bailarinos/as para o concerto da tarde, organizado pela Embaixada Francesa nos Camarões, e que traria à igreja as pessoas mais ilustres e magnatas da capital para angariar alguns fundos para as necessárias obras. Daí que o ambiente para visitar a igreja não poderia ter sido melhor. Fomos saudar a comunidade claretiana, que leva a igreja paroquial, e depois visitar os espaços onde várias gerações claretianas se iniciaram na vida missionária e agora acolhe grupos para retiros e actividades de formação espiritual. O Noviciado funcionou até 30 de Setembro do presente ano, fechando as suas portas após 32 anos.
Percorremos ainda algumas comunidades religiosas na área, tendo saudado várias consagradas.
 


Noviciado de Ekali.

Depois de um refresco na comunidade, partimos rumo a Ekali, seguindo a picada, avermelhada e irregular, atravessando a sua densa e bela floresta. De quando em vez, algumas casas ao estilo local, e sempre com uma campa fúnebre bem cuidada junto à entrada. Ao final da manhã chegámos a Ekali, situada a 9 km do aeroporto e a 33 Km de Yaoundé, confirma-nos uma placa na estrada. Esta povoação pertence à diocese de Mbamayo, cuja catedral visitámos por fora, por se encontrar fechada àquela hora. Outra obra-prima dos espiritanos.

Bem-recebidos pelo mestre de noviços, P. Jean-Baptiste Malikandi, pelo Ir. Boudoin e pelos 14 noviços. Mais tarde, chegou o vice-mestre, P. Remy Messanga.
Visitei estas novas instalações, abertas desde o primeiro de Outubro deste ano, após a transferência de Akono. Seguiu-se o almoço. Depois, o P. Michel regressou a Yaoundé e eu alinhavei com o Mestre todos os momentos deste fim-de-semana.
Depois da oração do rosário, às 15 horas, reuni individualmente com os noviços da PPCMCM (o Daniel Bento e o Gonçalves Kalunga).
 


Os noviços Daniel e Gonçalves.

Encontrei-me posteriormente com o Mestre de noviços para, além de outros aspectos, reiterar o nosso agradecimento pela sua cooperação formativa na iniciação à vida missionária dos nossos jovens.
Depois da meditação pessoal e vésperas na capela, passámos ao jantar.
Depois, principiou um convívio recreativo-musical de qualidade inimagináveis. Verdadeiros talentos foram partilhados com espontaneidade e, claro, muito treino e trabalho, que agradeci. Nem um telejornal do Noviciado faltou para que o Superior Provincial se desse conta de como têm sido os primeiros três meses de Noviciado, cheio de rima e até episódios caricatos, pois claro. Diverti-me, ou melhor, aproveitámos todos ao máximo. Penso até que abasteci o depósito do bom humor para mais uns tempos.
Confesso que os momentos partilhados em Ekali me fizeram reviver o que também eu experimentara como um tempo de graça quando fora noviço, corria o ano de 1990-91.

Na manhã do dia seguinte, depois das Laudes e do pequeno-almoço, dirigi uma conferência sobre o XXIV Capítulo Geral e sobre a nossa Congregação. Foram duas horas intensas, mas com excelente participação e interesse. Intercalei o português, o espanhol, o inglês e de quando em vez o francês, com o auxílio de 3 noviços que foram sempre traduzindo. Deste modo, todos praticaram mais um pouco da aprendizagem das línguas estrangeiras a que se vão habituando no Noviciado, para além da língua camaronesa, o eondo, e das línguas oficiais da Congregação.
A eucaristia dominical ao final desta manhã fora muito bem preparada e, assim, igualmente participada.
 


Conferência com os noviços em Ekali.

Pude ainda nalgum intervalo espreitar os vários espaços dos 4 hectares de terreno, principalmente o campo onde cultivam óleo de palma, bananas, milho, legumes (para consumo interno e para venda, ajudando nos ingressos da casa formativa). Visitei também o super-galinheiro e pude escutar referência aos futuros projectos que os nossos missionários têm, como iniciativas para avançarem no auto-financiamento (mas para os quais precisam de apadrinhamento inicial): trata-se da instalação de uns tanques junto ao rio que aí passa para (re)produção de peixes e de uma suinicultura. Motivei-os a apresentarem quanto antes esses projectos à Procuradoria Geral das Missões, uma vez que esta solicitara projectos concorrentes aos fundos de 2010 para apoio a iniciativas agrícolas neste continente africano. Garantiram-me que iriam tentar seguir a minha sugestão, embora desabafando que até ao momento nunca antes conseguiram ver admitido qualquer outro projecto apresentado.
 


Silvestre em acção.

Bem... Regressei a Yaoundé a meio dessa tarde de domingo, tendo sido acompanhado pelo Mestre de noviços. Uma vez no Teologado, pude participar nas vésperas e jantar, transmitindo saudações entusiastas dos membros do Noviciado e partilhando a jornada desse fim-de-semana.

O último dia de Novembro foi festivo: comemorámos com toda a Igreja Santo André, Apóstolo e patrono congregacional. Como todas as outras segundas-feiras, os Estudantes não têm aulas. Esta opção beneficia a todos os jovens, professores/as e sacerdotes que têm um fim-de-semana pastoral em cheio. Em contra-partida, o sábado é dia lectivo.

Assim que, depois das Laudes e do pequeno-almoço, reuni-me com o superior e formadores do Teologado para tratarmos vários assuntos e, sobretudo, partilharmos os respectivos projectos de formação dos nossos Organismos maiores, encontrando-me muito em sintonia com o Prefeito de Formação, P. Abílio Ramos. Demos, pois, mais uns passos importantes nesta importantíssima tarefa.

Para os Estudantes, esta manhã e começo da tarde foram dedicadas ao estudo pessoal e a trabalhos vários, sobretudo de preparação da festa, ao cair do dia, com a solene instituição de 3 leitores e 3 acólitos, numa concelebração eucaristia a que presidi. Para além de vários postulantes e de alguns amigos, vários CMFF das comunidades vizinhas e alguns sacerdotes diocesanos próximos dos homenageados se associaram a nós. Um excelente jantar self-service deu seguimento à primeira mesa, acompanhado de música ambiente e alguns passos de dança caseira.

No momento das ofertas ao aniversariante do mês, o diácono Jude, e ao superior da comunidade, fui também contemplado com um bonito quadro de artesanato dos Camarões. Agradeci a oferta que levarei para Lisboa e entregarei para embelezar algum dos nossos espaços claretianos. O convívio final seguiu até cada um se retirar para o repouso nocturno. Descanso.

O dia 1 de Dezembro é o último desta visita aos Camarões. Na eucaristia matinal confiámos a boa viagem de regresso. Procedo agora ao arrumar da bagagem e aos agradecimento finais por estes dias excelentes aqui vividos.

Repetiram-me quanto se sentiram privilegiados e satisfeitos com esta minha visita. Igualmente, respondo, pois senti-me em casa e centrado no que definitivamente nos torna Filhos do Imaculado Coração de Maria. Que essa Mãe que temos e Rainha dos Apóstolos, padroeira destas terras, interceda por todos estes seus filhos.
Até breve!

P. Artur Teixeira, cmf