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‘O padrezinho’
A superiora de uma comunidade das religiosas Vicentinas convida-o a
acompanhar Mons. Codina, que havia sido nomeado bispo das Canárias. Claret
prontifica-se a fazê-lo, se o pedido for endereçado e aceite pelo seu
prelado diocesano. Mons. Casadevall acede à petição de D. Codina.
Chega às Canárias a 14 de Março de 1848, integrado na comitiva do novo
bispo. Depois de dar início a uma intensa actividade apostólica, torna-se
tão popular que os fiéis o tratam pelo epíteto carinhoso de ‘o padrezinho’,
pelo qual ainda hoje é conhecido.
Põe em prática o mesmo ritmo missionário que utilizara na Catalunha,
reunindo e entusiasmando inumeráveis multidões. Durante catorze meses, leva
a cabo três campanhas missionárias globais, nas ilhas. Porém, os amigos e
colaboradores que ficaram em Espanha reclamam insistentemente a sua
presença, porque deixara órfãs numerosas instituições e vários projectos que
fundara.
A 11 de Maio de 1849 está de volta a Tarragona. ‘De Las Palmas – di-lo com
certa graça – trago apenas uma imensa saudade e cinco rasgões na batina
(provocados pelas multidões que o aclamavam, no final dos sermões). Não
aceita o capote e o chapéu, que o bispo pretendera dar-lhe, na hora da
despedida.
‘Hoje, dá-se início
a uma grande obra’
Já em casa, comunica ao prelado diocesano e aos amigos Soler e Passarell,
homens cheios de ciência e do espírito de Deus, um projecto que traz em
mente há bastante tempo: a fundação de uma Congregação de missionários, que
vivam em fraternidade. Estes apoiam totalmente a ideia. ‘Consultei – narra-o
na Autobiografia – alguns sacerdotes, a quem Deus concedera o mesmo espírito
que me animava a mim. Eram Estêvão Sala, José Xifré, Domingos Fábregas,
Manuel Vilaró e Jaime Clotet’. A idade deles oscilava entre os 27 e 37 anos,
tirante a de Claret, que andava na casa dos 41.
No dia 16 de Julho de 1849, festa de Santa Cruz e de Nossa Senhora do Carmo,
o grupo congrega-se num quarto humilde e austero do Seminário de Vic. Após
uma breve prédica, Claret, que preside à reunião, afirma solenemente:
‘Hoje, damos começo a uma grande obra’. Naquele dia nascia a
Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria
(Claretianos), instituição que conta, hoje, com mais de 3.000 membros, está
difundida por todas as latitudes e desenvolve um extenso e variado leque de
actividades apostólicas.
Mas Claret não se limita ao papel de fundador: colabora também, com a madre
Joaquina Vedruna, na fundação das Carmelitas da Caridade, cujo carisma o
entusiasma. Trava amizade, nessa altura, com Antónia Paris, então postulante
da Companhia de Maria. Com ela, irá criar, mais tarde, uma nova congregação
religiosa.
Gozava calma, jubilosa e evangelicamente a vida comum com seus irmãos de
Congregação, quando, a 11 de Agosto, no final de um retiro dirigido aos
sacerdotes de Vic, o bispo o chama ao paço. Entrega-lhe um ofício, onde
consta a sua nomeação para arcebispo de Santiago de Cuba. ‘Fiquei siderado,
com a notícia’ – escreve. Resiste durante dois meses, por se considerar
indigno de tal cargo e devido à responsabilidade que havia assumido, há bem
pouco tempo, como fundador da Congregação dos Missionários e orientador da
Livraria Religiosa. Mas, após longo e maduro discernimento, aceita o
encargo. |