Santo António Maria Claret

Missionário Apostólico

de Atilano Alaiz

(traduzido por P. José Augusto Correia)



7º e 8º episódios

 

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‘O padrezinho’

 

A superiora de uma comunidade das religiosas Vicentinas convida-o a acompanhar Mons. Codina, que havia sido nomeado bispo das Canárias. Claret prontifica-se a fazê-lo, se o pedido for endereçado e aceite pelo seu prelado diocesano. Mons. Casadevall acede à petição de D. Codina.

Chega às Canárias a 14 de Março de 1848, integrado na comitiva do novo bispo. Depois de dar início a uma intensa actividade apostólica, torna-se tão popular que os fiéis o tratam pelo epíteto carinhoso de ‘o padrezinho’, pelo qual ainda hoje é conhecido.

Põe em prática o mesmo ritmo missionário que utilizara na Catalunha, reunindo e entusiasmando inumeráveis multidões. Durante catorze meses, leva a cabo três campanhas missionárias globais, nas ilhas. Porém, os amigos e colaboradores que ficaram em Espanha reclamam insistentemente a sua presença, porque deixara órfãs numerosas instituições e vários projectos que fundara.

A 11 de Maio de 1849 está de volta a Tarragona. ‘De Las Palmas – di-lo com certa graça – trago apenas uma imensa saudade e cinco rasgões na batina (provocados pelas multidões que o aclamavam, no final dos sermões). Não aceita o capote e o chapéu, que o bispo pretendera dar-lhe, na hora da despedida.

 

‘Hoje, dá-se início
                          a uma grande obra’

 

Já em casa, comunica ao prelado diocesano e aos amigos Soler e Passarell, homens cheios de ciência e do espírito de Deus, um projecto que traz em mente há bastante tempo: a fundação de uma Congregação de missionários, que vivam em fraternidade. Estes apoiam totalmente a ideia. ‘Consultei – narra-o na Autobiografia – alguns sacerdotes, a quem Deus concedera o mesmo espírito que me animava a mim. Eram Estêvão Sala, José Xifré, Domingos Fábregas, Manuel Vilaró e Jaime Clotet’. A idade deles oscilava entre os 27 e 37 anos, tirante a de Claret, que andava na casa dos 41.

No dia 16 de Julho de 1849, festa de Santa Cruz e de Nossa Senhora do Carmo, o grupo congrega-se num quarto humilde e austero do Seminário de Vic. Após uma breve prédica, Claret, que preside à reunião, afirma solenemente: ‘Hoje, damos começo a uma grande obra’. Naquele dia nascia a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos), instituição que conta, hoje, com mais de 3.000 membros, está difundida por todas as latitudes e desenvolve um extenso e variado leque de actividades apostólicas.

Mas Claret não se limita ao papel de fundador: colabora também, com a madre Joaquina Vedruna, na fundação das Carmelitas da Caridade, cujo carisma o entusiasma. Trava amizade, nessa altura, com Antónia Paris, então postulante da Companhia de Maria. Com ela, irá criar, mais tarde, uma nova congregação religiosa.

Gozava calma, jubilosa e evangelicamente a vida comum com seus irmãos de Congregação, quando, a 11 de Agosto, no final de um retiro dirigido aos sacerdotes de Vic, o bispo o chama ao paço. Entrega-lhe um ofício, onde consta a sua nomeação para arcebispo de Santiago de Cuba. ‘Fiquei siderado, com a notícia’ – escreve. Resiste durante dois meses, por se considerar indigno de tal cargo e devido à responsabilidade que havia assumido, há bem pouco tempo, como fundador da Congregação dos Missionários e orientador da Livraria Religiosa. Mas, após longo e maduro discernimento, aceita o encargo.

 

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