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JANELAS ABERTAS



Um missionário a caminho do Guiness?

 

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O Ir. Robalo na Livraria e Gráfica Claret, em S. Tomé e Príncipe



 

O Ir. José Guilherme Robalo, natural da Rapola do Côa, Sabugal, Guarda, é missionário desde 1967 em São Tomé e Príncipe. Ninguém mais habilitado a satisfazer a nossa curiosidade sobre a sua vida e missão.

 

Ir. Robalo, como é que nasceu essa ideia de ser missionário?

Desde pequeno, senti em mim que Deus me convidava a segui-lo para trabalhar na Sua seara. Terminados os anos escolares, o Sr. P. Leal fez-me um exame e aprovou-me para ingressar no Seminário. Porquê os Claretianos e não outros? Desígnios de Deus. Começámos o curso trinta e sete novos candidatos, e logo nos primeiros dias, o P. Cassiano Cabral, Visitador, nos recomendava: “Lembrem-se de que estamos no centenário da Congregação, 1949, e que Deus espera muito de nós, que sejamos fiéis à vocação.” Este apelo ficou-me bem gravado. Com algumas dificuldades, completei o terceiro ano, e já em férias, recebo uma comunicação, com grande desgosto para mim, de não regressar ao Seminário. Senti muito não poder seguir o caminho do sacerdócio, mas outra esperança floresceu: ser irmão missionário. Uma visita vocacional dos Irmãos Barreira e Esteves acendeu mais esse desejo, concretizado graças ao P. Pires Marques, que me pagou a viagem de regresso ao Seminário, como aspirante a Irmão Missionário.

 

E os seus familiares mais próximos, como reagiram?

A separação da família foi difícil e não aprovada por muitos. Eu era o mais velho de sete irmãos, órfãos de pai. Mas contra tudo e contra todos, segui o chamamento de Deus, depois de ter colocado no Colégio do Rochoso as duas irmãs mais novas e entregue os outros familiares à Providência de Deus, que tomou conta deles. Duras provas me esperavam durante o tempo de formação. No entanto, sentia em mim uma força que superava o desânimo, e cheguei à Profissão Perpétua.

 

Depois de um tempo de formação, partiu para São Tomé: porquê e para quê?

Dois dias antes da Profissão, comunicaram-me, em particular, que fora destinado às Missões de São Tomé. Agradeci, pois era este o meu desejo e, no dia 22 de Agosto de 1967, então Festa do Coração de Maria, na Basílica de Fátima, no final das cerimónias, eu e mais três recebemos o Crucifixo e partimos para as Missões: dois para o Japão e dois para São Tomé. Surpresa geral, e protestos da parte dos familiares e superiores, que não concordavam com a decisão do P. Provincial.

Chegado a S. Tomé, nos primeiros dias de Novembro de 1967, tinha a receber-me o P. Francisco Vaz, em nome da Comunidade missionária, de braços abertos e com muita alegria.

 

Lembra-se de como era aquela Missão há quarenta anos?

Sem nenhuma preparação prévia, entregam-me a Escola de Artes e Ofícios, com cerca de 70 alunos, que se iam formando em mecânica, serralharia, bate-chapas, pintura e marcenaria. Só deste ramo percebia qualquer coisa. Foi nesse tempo que o P. Honorato se lançou na construção do Centro Diocesano; a contribuição da Escola foi relevante. Nos tempos livres, colaborava com os párocos na animação da Liturgia.

 

Nota algumas diferenças sociais, religiosas, culturais, políticas em relação a essa altura?

Quando cheguei a São Tomé, encontrei a Missão muito bem organizada. Os nossos missionários, com as catequeses distribuídas por vários núcleos de cada freguesia, percorriam todas as turmas do Liceu e das Escolas, dando aulas de Religião e Moral. A seguir à Independência foram suprimidas, ficando a evangelização circunscrita às igrejas e centros de catequese. A maioria dos cristãos manteve-se firme na sua fé; os jovens, arrastados por ideologias adversas afastaram-se, mas foram regressando mais tarde, após muitas desilusões.

 

Desde aquela chegada até hoje, que episódios recorda com mais paixão?

Presentemente, os jovens aderem muito aos diversos movimentos das Paróquias, sendo impressionante o número elevado de baptizados, crismas, e até de matrimónios.

 

Houve alguma dificuldade que se tenha atravessado no caminho?

Durante a minha permanência em São Tomé, posso afirmar que, apesar de havermos atravessado tempos difíceis após a Independência, nunca me senti desprezado nem mal visto, antes pelo contrário, fui sempre bem acolhido por todos. Muitas vezes tenho ouvido, quando parto para férias: “O Irmão não pode deixar-nos, pois é já um dos nossos.”

 

Que desafios esperam os actuais jovens padres da diocese?

Os jovens padres, como é natural, levam sempre consigo novas ideias de evangelização. Com o tempo descobrem que também os seus antecessores as tiveram.

 

São Tomé pode abrir-se ainda mais ao voluntariado missionário? Também entre os claretianos?

São Tomé, como campo missionário relativamente pequeno em relação a Angola e outros Países de África, não deixa de ter um vasto campo de apostolado, onde há sempre que fazer, e convido a muitos claretianos a fazerem ali uma experiência, dando o muito que têm, e recebendo também a partilha dos outros.

 

Como vê a possibilidade de o Ir. Robalo entrar no livro do Guiness como o missionário português recordista em terras de missão?

Quando recebi o novo destino, não o pedi directamente, mas agradeci o convite. Até agora, apesar de muitas dificuldades – o clima tropical, carências de todo género, comparando a nossa situação com a vida da Europa – creio que não terei a coragem para pedir outro destino. Já lá vão quase 41 anos e por lá estarei enquanto a saúde e os meus superiores o permitirem.

 

Ofereceria a sua moto “Vespa”, verdadeiro património nacional, para o Museu da nossa Procuradoria Portuguesa das Missões Claretianas?

A minha Vespa, comprada após a minha chegada, tem-se portado bem até agora, mas ainda não é peça de museu.

 

Que mensagem gostaria de deixar a quem lê a “Onda Claretiana”?

Faço um apelo para que se sintam, no lugar que ocupam, como missionários e evangelizadores da Palavra de Deus. O missionário não é só aquele que deixa a sua terra, os seus bens, a sua família, os seus irmãos de congregação, e parte para as missões. Missionário é também todo aquele que, no seu respectivo lugar, no seu posto de trabalho, no seio  da família em que vive ou que formou, cumpre a vontade de Deus e, com a sua vida exemplar, arrasta os outros para Cristo, contribuindo assim para a formação de um mundo melhor, onde haja paz, alegria, fraternidade, justiça e beleza.

 

Obrigado Ir. Robalo, por esta entrevista. Desejamos-lhe as melhores felicidades.

Caro leitor(a): tu também podes ser missionário(a), como o Ir. Robalo. Queres arriscar? E se deixares de pensar no que vais fazer com a tua vida, e pensares, antes, no que Deus pode fazer com ela?

 

Quem desejar manter as “Janelas Abertas” com o Ir. Robalo pode: consultar a página www.mcm.pt na Internet e acompanhar os acontecimentos daquela missão; ter presente o Ir. Robalo na oração e na eucaristia; divulgar, na família, no grupo e nos movimentos eclesiais os Projectos que o Ir. Robalo tem entre mãos; partilhar algum recurso pessoal ou enviar um donativo para: Procuradoria Portuguesa das Missões Claretianas - Av. Almirante Gago Coutinho, n.º 85.  1700-028 Lisboa (Portugal).

 

 

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