|

Obra em realização no Lubango (Arimba)
COMUNA DA ARIMBA - LUBANGO
1º. A Comuna da Arimba
Uma administração comunal corresponde, nas plagas lusitanas, a
uma Junta de Freguesia. Há uma ligeira diferença: As Juntas são eleitas e as
Administrações são de nomeação oficial. Onde não há eleições autárquicas, é
assim. O mesmo acontece com os "sobas" ( antigamente, por hereditariedade )
e os "seculos", correspondentes aos já outrora existentes "Regedores" e
"Cabos", cá pelas nossas bandas. Estas figuras estão mais directamente
ligadas ao exercício de adequação às Tradições, com intervenções nem sempre
muito felizes.
A Comuna da Arimba integra o Município do Lubango (antigamente
Sá da Bandeira). A sua população é de base Nhaneka-Mwila, uma das muitas
subtribos dos Ovinhanekas. Um que outro umbundo, empurrado pela guerra, veio
também estabelecer-se por estas quebradas.
Os Mwilas foram sempre um povo votado ao ostracismo, quer pelos
governos coloniais, quer pela governação actual. Mantém essencialmente o
género clânico de habitação (marido, mulheres, filhos e animais) sem
formarem aldeias. O património dos tios passa para os sobrinhos, ficando os
filhos e as mulheres deserdados, a quando da morte do homem da família.
2º. Após a chegada dos Missionários Claretianos
Quando, em Outubro de 1997, no Dia Mundial das Missões - 19
desse mês - assumimos a paróquia da Imaculada Conceição, foi-nos dada, por
inerência, a pastoral da comuna da Arimba. O desenvolvimento desta Comuna
era praticamente nulo, a começar pelos capítulos da Educação e do Ensino,
com tradições multisseculares que pouco se coadunavam com os tempos que
correm. Daí que os primeiros esforços envidados tenham sido no sentido desse
desenvolvimento cultural, nomeadamente nessa área da Educação e do Ensino.
Para o efeito, lançámos muitas Escolas Primárias e um III Nível (7ª/9ª
classes). Deste modo, era oferecida à juventude a oportunidade de promoção e
de desenvolvimento e ainda a hipótese de serem eles próprios a fazerem a
triagem das tradições mais obsoletas.
3º. A ideia e o projecto do Seminário do Coração de Maria
Onze anos passados, já muita coisa mudou. Eis porque a ideia de
fundarmos ali o Noviciado para Angola e S. Tomé ganhou corpo com facilidade.
Era Provincial o Pe. Manuel António dos Santos, hoje Bispo de S. Tomé. E foi
nessa direcção que o Engenheiro Luís, lisboeta dos quatro costados, se lança
ao trabalho de gizar a planta.
Há cerca de três anos, as ambições foram diminuídas por falta de
dinheiro e começou-se a construir apenas uma terça parte do projecto, fase
essa que se encontra já em fase de conclusão.
Simultaneamente, com a falta de Noviços, o destino da casa mudou
de azimute e ficou dedicado a Aspirantado. A ideia final até deve ter sido
mais feliz, já que o Aspirantado da parte africana lusófona da Congregação
andava de Anás para Caifás e, pelo menos no sul, fora da nossa alçada
pedagógica, pois servíamo-nos do Seminário Arquidiocesano do Jau.
Hoje e dentro de poucos meses, teremos então o "Seminário do
Coração de Maria", com capacidade inicial de 12 a 24 candidatos, indo fazer
os seus estudos no ICRA - SUL (Instituto de Ciências Religiosas
Arquidiocesano), com bom nível académico.
No momento presente, com uma área de terreno de 50.000 metros
quadrados e uma construção robusta, só falta acabar de equipar o novo
seminário para podermos arrancar com uma esperança consumada de vários anos.
Que surjam boas vontades que nos ajudem a construir a 2ª fase do
edifício e a capela, tão necessária para a evangelização desta Zona Pastoral
do Coração de Maria, como é designada esta parte da Paróquia da Imaculada
Conceição, a Comunidade aos nosso cuidados.
Presentemente, já há duas pessoas designadas para dirigirem o
Seminário, o angolano Pe. Gabriel Isaías e o português, Ir Aquino, ficando
este grupo uma segunda vertente da Casa do Lubango, na qual ficarão, mais
virados para a Paróquia e para outras pastorais, os PP. Damião Fernandes e
Álvaro Teixeira.
Lubango, 1 de Novembro de 2008
Pe. Álvaro Teixeira, cmf |