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oviços em Akono
Camarões

 

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Os noviços em Akono (Camarões)

 


Caríssimos irmãos em Cristo!

A vós, a nossa maior e profunda gratidão.

“Não há maior segredo na vida que estar em pás com Deus e com a natureza”, enquanto humana. Estas são as palavras de um grande estudioso que fazem parte de nós, a abertura desta pequeníssima missiva, destinada a todos os membros da Província portuguesa da qual já estamos integrados.

Aliás; como prova disso, se nos é permitido dizer, basta olhar para as 3 cartas, vindas da mais alta entidade da Província em citação, o Rev. P. Artur Manuel Rodrigues Teixeira, cmf, para cada um de nós, enquanto também três noviços claretianos da mesma Província, cuja reacção nossa, foi de tamanha epifania alegria e não só, como também a entrega e dedicação totais do Rev. Pe. Apolinário Nunda, a quando da nossa viagem para a República do Camarões, a partir mesmo do nosso postulantado de Luanda. A ele, preferimos não dedicar os nossos agradecimentos, mas sim o silêncio. Isto porque “não conseguiríamos pagar o suficiente”, como dizia o salmista. Até porque podemos mesmo compará-lo a um pai, que sacrifica toda a sua vida aos seus filhos, e que estes por sua vez, mesmo que venham retribuir tudo o que foi gasto durante as suas vidas ao respectivo pai, jamais poderão pagar ou seja compensá-lo na sua totalidade. Em suma, “nós somos dele e ele mesmo é também nosso”; como ele próprio o afirmava do fundo do coração.

Dando continuidade, só cumpriu com a passagem do evangelho segundo S. Mateus, no seu capítulo 5, versículo 13 a 16, que vem dizer o seguinte: “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo… Portanto, brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos céus”. E não nos esqueçamos que esta última frase, também faz parte da divisa da nossa Congregação: “Tudo para maior glória de Deus”.

A afirmação feita anteriormente, de que “o maior segredo da vida era estar em paz com Deus e com a natureza” vem elucidar nesta pequena missiva, o caminho já percorrido, e o que ainda falta percorrer, em todos os níveis tais como humano, religioso, espiritual e sobretudo cristão.

É bem verdade que tudo tem um começo e que este por sua vez, numa primeira fase demonstra ser difícil encaixá-lo; mas “não impossível”. Muito embora acarrete consigo, um monte de obstáculos que levem muito ou pouco tempo, estes são sempre vencidos. Assim, damos abertura ao relato das nossas pequeníssimas experiências já vividas a começar mesmo da República Democrática do Congo, país que nos acolheu numa primeira ocasião, a quando da nossa passagem para a República dos Camarões, país cuja nossa estadia é definida como local de batalha; batalha esta que por nós, se torna um meio essencial, sem o qual não podemos atingir o objectivo que nos espera e sobre o qual nos propusemos.

Verdade se diga: encontramos uma realidade totalmente diferente da nossa; seja ela linguística, cultural, religiosa, analítica, social, climatérica, etc, que foi primeiramente uma cruz para nós, mas que com o evoluir do tempo, fomos nos adaptando a ela, até que enfim, conseguimos dominá-la, “morrendo e ressuscitando” nela. Acrescentamos ainda: “é preciso morrer para se viver”; ou seja, é preciso “dominar a natureza”; mas para dominá-la, há que conhecê-la primeiro, e assim a vida vai andando.

Podemos também dizer que, quanto à situação climatérica camaronesa, de facto há que respeitar e ter um corpo de ferro para se poder enfrentá-la; isto porque dá como fruto, as chuvas que caiem 24 sobre 24 horas, que fazem por sua vez dos Camarões, um país muito verdejante e pouco poeirento. Todos nós sabemos quais as consequências tanto positivas como negativas das chuvas.

Realmente falando, o noviciado é um lugar de muita movimentação que supõe a oração, o apostolado, o desporto, trabalho manual, recreação, conferências e enfim; em uma palavra, é um lugar de vida e não de estaticidade. Nesta movimentação, já tivemos a experiência dos primeiros dois internoviciados; sendo que, o primeiro foi relativo à oração, e o segundo, relativo à sexualidade e à afectividade na vida religiosa, estando a faltar outros, que poderão culminar no mês de Maio. Até lá, os olhos estão ou seja, estarão voltados para… Queira Deus que assim se realize.

A realidade não menos importante, a que todo e qualquer homem deve estar sujeito, seja ela dentro ou fora do seu mundo social, isto é a adaptação, já está feita de maneira excelente. É assim que podemos destacar em primeiro lugar a aprendizagem da língua francesa, que vem dar outras situações sensíveis tais como animações litúrgicas que incluem leituras, salmodias, contos e a própria comunicação em geral, através da vida interna da casa e do apostolado que cada um nós faz, sendo um domingo de passeio e outro de apostolado aos doentes e idosos.

Cada um de nós desempenha uma tarefa comunitária, estando o André a responder pela área dos desportos, que se pratica de 2ª a 6ª feiras, estando em reserva todos santos sábados e domingos; isto porque são dedicados a trabalhos domésticos e litúrgicos, como por exemplo, ensaio de cantos. Sobre o desporto não é tudo: o Miguel já não joga como guarda-redes, mas sim como avançado e conhecido como Zé Kalanga, nome de um dos avançados da selecção nacional angolana – Palancas negras gigantes e o César como defesa. Quanto ao André, a posição é sempre aquela: um ponta de lança que estremece tudo e todos; o César como responsável da despensa e por último o Miguel que responde pela área da agricultura.

De quando em vez nos encontramos com os três teólogos Alberto Kibeto, Fernando Koia e Silvestre Mweukufange, onde pudemos partilhar quando há oportunidade, a nossa rotina diária. Mas estes encontros são feitos somente em grandes momentos como votos perpétuos, profissões religiosas, sejam elas claretianas ou não. Ainda nesta mesma linhagem de profissões, enviamos uma foto que demonstra a profissão do grupo de noviços que antecede o nosso, representado por um deles, cujo substantivo próprio é o André Mfula, congolês de nacionalidade, no dia 15 de Setembro de 2007 e na grande festa do bicentenário da nascença de S. Claret, do qual, temos nós, uma grande história a exibir diante da Congregação: somos noviços do 15 de Agosto, dia em que começamos oficialmente com o nosso noviciado e também dia em que se celebra a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, do bicentenário de S. Claret, e não só; somos noviços da última e antigas gerações neste noviciado de Akono. Isto porque pelo que se diz, a partir do próximo ano, o noviciado já não será aqui em Akono, mas sim entre Yaoundé e Mbalmayo, regiões também camaronesas, em que uma delas é a capital política do país em referência.

Damos os últimos remates, dizendo que cabe a nós, manifestar os nossos sinceros agradecimentos a todos os membros da província, sem distinção de raça ou de cor e sem excepção de ninguém, pela confiança que tiveram em nós, rumo à entrada, ou seja, à pertença oficial da congregação, a começar mesmo pelas promoções vocacionais manifestadas sempre com aprovação, até aos dias de hoje e esperamos que esta confiança continue até ao fim. O nosso muito obrigado! Por sua vez, o César aproveita manifestar também o seu regozijo diante da comunidade de S. Tomé e Príncipe, em especial o Pe. Romualdo Vicente, pelo apoio que lhe foi prestado a quando da sua preparação para o Noviciado. Aproveitamos também desde já, parabenizar os nossos diáconos Inácio Kahamba e Ezequiel Quintas, que foram sempre incansáveis em nos ajudar aprofundar constantemente a nossa identidade vocacional. A eles desejamos força e coragem no serviço confiado pela Igreja.

Aos irmãos que nos seguem, dizemos simplesmente: perseverança; porque como dizia um velho ditado “para o caminhante não há caminho; faz-se caminho caminhando”. Rezem por nós e nós estaremos sempre a rezar por vocês também. “Adeus! Não para sempre, porque estaremos sempre juntos nos corações e na oração”. Estas são as palavras de um dos aspirantes claretianos em Luanda-Angola, Nicolau Muhongo.

A todos vós, uma vez mais o nosso muito obrigado.

 

André Kalundoke Satchikwata

César Vaz Sacramento

Miguel Ribeiro Lino

 

 
 
 
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