Junho 2007
Ano XII nº 124
Edição e Propriedade
Província Portuguesa
da Congregação
dos Missionários
do Coração de Maria

Director
António de Araújo Oliveira

   

PUBLICAÇÃO BIMESTRAL

 



 
editorial

Na segunda metade do Séc. XX assistimos ao aparecimento de uma pluralidade de teologias: “discurso sobre Deus” em diálogo com a inteligência. Tivemos a teologia da cruz, da esperança, do progresso. Algumas bastante radicais, como a teologia da morte de Deus e teologia da libertação.

Referindo-nos a Maria e ao seu papel exemplar como discípula de Cristo, haveria base para uma “teologia do coração”: apresentação da mensagem evangélica a partir da realidade do coração.

Na Bíblia, o coração não é mera expressão poética ou sentimental, mas compêndio da vida interior, das energias espirituais e opções vitais. Quando S. Lucas diz no evangelho que “Maria guardava todas estas coisas e as meditava no seu coração” (2,19), significa que meditava nos acontecimentos salvíficos e os integrava no mais profundo da sua própria existência.

Esta concepção bíblica do coração, explorada pelo teólogo K. Rahner, está patente em S. Agostinho e Pascal. A esta luz, a “teologia do coração” ajuda-nos a perceber melhor a sensibilidade espiritual de Maria e a imitá-la em todas as facetas da personalidade pois ela tem uma função única na história da salvação.

A “teologia do coração” significa que a vida de Maria, na sua inteligência, vontade e sentimentos, estava toda orientada para Deus. Por isso, ela é a “cheia de graça”, a “mulher bíblica”.

Como dizia Unamuno, “Maria é a Eva antes do pecado, a humanidade tal como saiu das mãos do criador, a humanidade ideal”.

Pe. António de Araújo Oliveira
 

Algumas das principais notícias
Tomada de Posse
D. Manuel António
Novo Bispo
do Porto

Claretianos
em Capítulo Provincial

Missionárias de Santo
António Maria Claret

Verão com
a EPJV

Claretianos
na Rússia

Logotipo do
2º Centenário
Na missão
do Lubango
Associação Comunicação
no Lubango

 
página 1

A catequista perguntou às crianças se Deus era lindo e logo todas responderam com um longuíssimo: “Éeee!” Uma delas porém, acrescentou timidamente: “Deus é lindo, mas não é fotogénico”.

Realmente, em vez de apresentarmos a face autêntica de Deus, enfiamos-lhe as nossas máscaras. Daí que, segundo João Guitton, “o que falta aos nossos cristãos é serem ateus”. Ele próprio se declara “ateu” do Deus de Nietzsche, de Marx, de Freud, do Deus de Renan, de Hegel, de Voltaire...

A sociedade moderna fabrica outros deuses feios: o sucesso e o poder a todo o custo, o amor que se esgota no sexo, o dinheiro e tudo o que ele significa a montante e a jusante. Temos de “mudar” para o Deus do Evangelho, que é ternura de mãe e fortaleza de pai, intimidade de esposo e confiança de irmão ou amigo. Bento XVI resume tudo na “pérola” de São João: «Deus é Amor» (1 Jo 4,8.16). Amor que se revela de maneira suprema na Páscoa, onde o Pai entrega à morte e ressuscita o seu divino Filho, para que nós possamos viver com o seu Espírito.

A experiência da “transfiguração” leva-nos a corrigir a “desfiguração” desses rostos. A intimidade com Jesus, à maneira da Samaritana, impele-nos a descer à estrada de Jericó, como o Bom Samaritano.

«Viver o amor e, deste modo, fazer entrar a luz de Deus no mundo» é a vocação de todos os baptizados, segundo Bento XVI na sua Encíclica (nº 39). Viver a caridade torna a Igreja mais bonita e atraente, mais capaz de irradiar a formosura de Deus, que é de facto “Amor Formoso”.

Pe. Abílio Pina Ribeiro
 

 

Tomada de posse de D. Manuel António Mendes dos Santos
Bispo de S. Tomé e Príncipe

Domingo, 18 de Março, 11 horas locais.

D. Manuel António Santos abeirou-se da porta de entrada da Sé, saudou os presentes, beijou o Crucifixo, aspergiu-se, a si mesmo e ao povo, com água benta e dirigiu-se para dentro da Catedral onde, perante o Santíssimo Sacramento, renovou a sua oferta a Deus, solicitando os auxílios necessários para o cumprimento da sua missão de Pastor.

Algum tempo depois, deu-se início à procissão, que saiu da casa das Irmãs Canossianas e contou com a participação do coro, que executou diversos cânticos, em ritmo africano. A cerimónia teve lugar numa celebração campal, em recinto amplamente coberto, e onde foi possível abrigar cerca de quatro mil pessoas.

Após a leitura das Cartas Apostólicas, feita pelo Sr. Núncio apostólico em Angola e São Tomé, D. Ângelo Becciu, D. Abílio Ribas cedeu a cadeira episcopal a D. Manuel António dos Santos, entregou-lhe o báculo e proclamou perante o povo fiel: “Eis o vosso Bispo, o nosso Bispo!”. E, assim, se fez a entrega de poderes e das demais responsabilidades episcopais.

Seguiram-se as saudações oficiais dos altos dignitários: Presidente da República e membros da Assembleia Nacional, Vice-Presidente da República, Procurador da República, Presidente do Supremo Tribunal da Justiça, Clero, pessoal missionário, representantes de cada paróquia, etc.

Festa e emoção a rodos.
Os meios de comunicação social, como a TVS, RTPA, Rádio Nacional e Rádio Jubilar, disputavam os lugares de maior visibilidade. Fizeram uma exaustiva e louvável cobertura do acontecimento. Na homilia, o novo prelado apresentou algumas das suas inquietações pessoais: a formação e celebração da fé, a pastoral vocacional, a evangelização da juventude e família, o apoio à educação escolar e a todo o tipo de projectos sociais que contribuam para uma maior humanização e desenvolvimento da sociedade são-tomense.

D. Abílio Ribas
 

 

NOVO BISPO DO PORTO

D. Manuel José Macário do Nascimento Clemente nasceu em São Pedro e São Tiago, concelho de Torres Vedras, no dia 16 de Julho de 1948. Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa, formando-se em História. Entrou no Seminário dos Olivais em 1973 e, em 1979, licenciou-se em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa, doutorando-se em Teologia Histórica em 1992. Ordenado presbítero em 29 de Junho de 1979, foi Reitor do Seminário dos Olivais e, em 1997, membro do Cabido da Sé de Lisboa, sendo nomeado Bispo Auxiliar de Lisboa e titular de Pinhel em 6 de Novembro de 1999. Na Conferência Episcopal Portuguesa, é presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, desde Abril de 2005.

D. Manuel Clemente tomou posse a 25 de Março. O Colégio Universitário Pio XII congratula-se especialmente com esta nomeação uma vez que o ilustre prelado residiu nesta casa durante os anos em que frequentou a Universidade de Lisboa. Ainda recentemente (27 de Janeiro) presidiu à celebração do cinquentenário desta instituição dedicada aos antigos estudantes.
 

 

CLARETIANOS EM CAPÍTULO PROVINCIAL

Os Missionários do Coração de Maria (Claretianos) celebraram, durante a semana da Páscoa, em Fátima, o seu Capítulo Provincial e elegeram novo Superior da Província, o P. Artur Teixeira, que se encontrava nos Estados Unidos a ultimar estudos de especialização.

Mais de trinta Capitulares, seis deles vindos de Angola e de São Tomé e Príncipe, avaliaram o estado da Província e definiram o rumo dos próximos três anos. O que mais os preocupa, em termos e compromissos actuais. O mais importante é que não diminua o entusiasmo e a vitalidade da missão. A mística e a missão constituem os dois rostos da experiência fundante do próprio Instituto.

Quando se rompe essa unidade, a mística transforma-se em misticismo e a missão converte-se em activismo sem alma. Procurando ser fiéis ao Espírito, neste momento histórico, propõem-se realizar a sua missão em quatro movimentos:

universalizar,
isto é, libertar a vida consagrada de visões estreitas que a confinam em si mesma, a deixam demasiado preocupada com a sua própria conservação e a tornam insensível às necessidades e expectativas do mundo;

actualizar em si mesmos a perene novidade de Jesus Cristo; interiorizar a mensagem e os valores evangélicos; a oração, as bem-aventuranças, o desprendimento, a docilidade à vontade de Deus, o anúncio; ir ao encontro das pessoas e partilhar a missão, em proximidade, interacção, sinergia, complementaridade.

Convencidos estamos de que a vida consagrada precisa destes quatro movimentos para recuperar e reafirmar o seu encanto.

P. Abílio Pina Ribeiro
 

 

MISSIONÁRIAS DE SANTO ANTÓNIO MARIA CLARET
Rumo ao Jubileu de Ouro da Fundação

Celebrar é reviver, é abrir nosso coração aos sentimentos de gratidão e nossos lábios a expressões de louvor e agradecimento ao Senhor, como Maria no Magnificat.

O dia 19 de Março foi para nós, Missionárias de Santo António Maria Claret, uma data profundamente significativa para a vida e para a história da nossa Família Religiosa.

Este ano, a celebração do 49º aniversário da fundação, demos início ao ano de preparação ao jubileu de Ouro com uma solene celebração na igreja paroquial de Aranova (Roma), presidida pelo Bispo da diocese, Dom Gino Reali. Estavam presentes alguns membros da Família Claretiana, o grupo de leigos claretianos missionários de Aranova (CLAM), amigos e colaboradores da Congregação.
 

 

Verão 2007 com a EPJV
Campos de Férias Vocacionais

A Equipa de Pastoral Juvenil Vocacional (EPJV) dos Missionários Claretianos em Portugal tem colocado à disposição das famílias, dos pais, e, por eles, dos adolescentes e dos jovens um conjunto de actividades: encontros, retiros, preparação para o Crisma, preparação para a profissão de Fé, Caminho de Santiago, Caminho Mariano, retiros vocacionais, actividades 100 talentos, peregrinações, visita a escolas...

Todas estas actividades são oportunidades de crescimento e ocasiões de valorização da pessoa. Responder ao chamamento de Deus é iniciar o grande desafio da vida: discernir e descobrir o que Deus quer de mim. Um desafio que realmente entusiasma! Porque é vital, pessoal e comunitário.

A EPJV renova o CONVITE neste ano 2007. Mas este é ainda um ano com um cariz muito particular. Os Claretianos em Portugal têm estado a celebrar os 50 anos da Província: 50 anos de vida, de serviço e anúncio da Boa Notícia. E no final de 2007 iniciam-se também as comemorações dos 200 anos do nascimento de Santo António Maria Claret.

É neste contexto que a EPJV realiza no Verão Claretiano 2007 os Campos de Férias Vocacionais para adolescentes. Com os jovens percorre o Caminho de Santiago e concretiza a Semana de Projecto “os 100 Talentos”. Se queres conhecer melhor estas actividades observa em mcm.pt/pjv.

Se já participaste em alguma actividade com a EPJV, então prepara-te para este tempo tão especial de férias cheio de aventuras e desafios.

Para te inscreveres basta entrares em contacto com a EPJV para:

EPJV
Seminário Coração de Maria
Av. Beato Nuno, 219
2495-401 Fátima
 
E-mail: pjv-cmf@mcm.pt
Telefone: 249 531 169
Telemóveis: 939 416 597 / 916 422 954

 

CLARETIANOS NA RÚSSIA

Em 1991, um missionário Claretiano polaco, acompanhado dum seminarista russo, avançou pelo coração da Sibéria com a finalidade de contactar com o pequeno resto de católicos, depois de mais de setenta anos de perseguição.

Em Krasnoyarsk, cidade com mais de um milhão de habitantes, conseguiu reunir um grupinho de 20 católicos. A partir daí a comunidade foi crescendo. Actualmente, os Missionários Claretianos têm a seu cargo duas paróquias que se estendem por uma superfície quase 30 vezes o tamanho de Portugal. Foi depois desta primeira experiência, que os Claretianos se instalaram e alargaram a sua presença na Rússia. Após dois anos de aprendizagem da língua, instalaram-se definitivamente em São Petersburgo, capital cultural russa, trabalhando fundamentalmente no único Seminário Católico de toda a Rússia e na animação da Vida Consagrada. Nesse mesmo local, constituíram um pequeno Seminário Claretiano onde se formam os primeiros Claretianos russos.

Como dissemos, têm a seu cargo a paróquia de Murmansk, cidade de 500 mil habitantes e a 1500 km a norte de São Petersburgo, já dentro do círculo Polar Ártico. A outra, em plena Sibéria, a cerca de 5000 km de Moscovo. Nestas duas paróquias, os Claretianos estão a construir duas novas igrejas. Além disso, construíram uma casa de retiros, pensando prestar um serviço aos religiosos da região.

Pe. António Oliveira
 

 

LOGOTIPO E LEMA DO SEGUNDO CENTENÁRIO

O logotipo do segundo centenário de nascimento de Claret, dentro de sua simplicidade, está carregado de simbolismo. Lido de baixo para cima, apresenta uma síntese dos quatro elementos primordiais: água, terra, ar e fogo. O fogo está representado pelo nome de Claret, “o homem de fogo”, situado no centro do círculo em letras amarelas. Desta maneira se acentua a vinculação de Claret a uma terra, um povo, um contexto.

Esta vinculação se concretiza com mais dois elementos figurativos: a ponte sobre o rio Llobregat, símbolo de sua terra natal, Sallent, que aparece também em seu escudo arquiepiscopal; e, recortando-se no horizonte, a silhueta da montanha de Montserrat, símbolo de sua devoção a Maria e da terra catalã que o viu nascer.

O círculo está rodeado, em sua parte superior, pelo lema “Nascido para Evangelizar”. Trata-se de um lema breve (de apenas três palavras), que pode ser expresso facilmente em diversas línguas, referido à efeméride que se celebra (“nascido”) e alusivo à vocação de nosso Fundador: “evangelizar”. Na parte inferior do círculo se vê, em números bem visíveis, o ano do nascimento (1807) e o ano do começo do segundo centenário (2007): duzentos anos de fogo evangelizador.
 

 

No dia em que as ondas do “tsunami” arrasaram a costa de Tamil Nadu, na Índia, as comunidades claretianas acorreram de imediato ao litoral, procurando fazer tudo o que estava ao seu alcance para dar uma resposta àquela situação dramática.

A comunidade claretiana de Kakkanur, com a ajuda dos jovens da paróquia, conseguiu recolher materiais de primeiros socorros, de modo a encher uma camioneta, e partiram para as povoações costeiras de Cuddalore (um dos distritos mais afectados pelo “tsunami”).

Perante o panorama de destruição e a perda de tantas vidas ficamos atónitos. Mas a compaixão foi crescendo e pusemos logo “mãos à obra”. Percorremos várias aldeias da zona e fizemos tudo o que nos era possível. Nem parámos para comer ou descansar.

Ao lado das muitas organizações internacionais não governamentais, que também actuavam no lugar, sentíamo-nos muito pequenos, sobretudo por falta de meios. Aproximei-me dos responsáveis de uma dessas organizações e perguntei se poderíamos colaborar com eles. Quiseram saber quais eram os nossos recursos, para ver se podíamos tornar-nos seus sócios. As pessoas com que contávamos, sobretudo jovens, eram irrelevantes para eles. Perante este impasse, algumas das pessoas do nosso grupo desanimaram e voltaram para suas casas.

Estávamos desamparados e sentíamo-nos muito pequenos diante de tamanhas  necessidades. Mas a realidade gritante era um chamamento muito forte. Impotentes, tudo o que fizemos nesse momento foi escutar, durante o dia, a agonia daquela gente e orar por eles.

Durante um momento de oração, confrontados com o relato evangélico da aparição de Jesus Ressuscitado que preparou alguns peixes e pão para os apóstolos nas margens do lago, uma jovem do grupo partilhou a sua fé, dizendo que Jesus nos convidava a estar ao seu lado na preparação do alimento, no alívio da dor, curando as feridas das vítimas… Nesse mesmo dia, quando terminávamos a oração, um tal Sr. Roch e outros companheiros de Bengalore aproximaram-se de nós, com um camião carregado de materiais de auxílio, solicitando a nossa ajuda. Enquanto repartíamos essa ajuda, uma associação chamada The family Índia (um grupo de famílias cristãs que pretendem viver como a primeira comunidade, descrita nos Actos dos Apóstolos) solicitou também a nossa colaboração. Trabalhámos juntos nesta missão até ao dia de hoje.

Entretanto, foi chegando o dinheiro proveniente das ofertas dos claretianos de todo o mundo. Muitas agências colaboraram voluntariamente connosco na ajuda aos mais pobres. Enchemos um armazém com alimentos, medicamentos, roupas e outros artigos domésticos. Procurando recuperar os sorrisos perdidos e renovar a esperança, organizámos também festivais nas diversas povoações que atendemos.

Ajudámos as pessoas a refazer as suas vidas: os pescadores receberam barcos e motores, os pequenos comércios foram reabilitados, os estudantes obtiveram roupas, materiais escolares e bolsas de estudo. Foram construídas escolas, orfanatos e campos de jogos. O trabalho de dessalinização das terras de cultivo, afectadas pelas águas do mar, foi uma das novidades do trabalho dos claretianos nesta área, reconhecido oficialmente pelo governo local.

O grupo de claretianos de Cudallore percorreu 42 aldeias e ajudou os seus habitantes com 60 milhões de rupias (1.500.000 dólares). Tudo isto constituiu para nós uma experiência de enriquecimento espiritual. Com Jesus, estivemos presentes na preparação do alimento para aquelas pessoas. Aprendemos também que, quando discernimos o apelo de Deus nas necessidades das pessoas, o dinheiro não constitui o maior problema. Trabalhámos ao lado de outras organizações, executámos projectos em conjunto, orámos juntos, partilhámos a nossa experiência de fé. Envolvemos a juventude das nossas paróquias em cada um dos sectores deste trabalho: informação, distribuição, planeamento, execução, documentação, etc. Esta experiência foi para eles um dom e uma oportunidade inesquecíveis.

Ficámos contentes com os louvores que nos deram, e aprendemos também com as críticas, mas a convicção dominante foi que a compaixão tem mais força que um “tsunami”. Estamos felizes por termos sido o rosto compassivo da Congregação perante as vítimas do tsunami. Com esta mesma determinação vamos continuar a nossa missão ao serviço das pessoas.

Vincent Anes, cmf
 

 

Na Missão do Lubango (Angola)
O escutismo em terras dos Nhanekas-Mwila

Baden Powell, nos muitos escritos que deixou aos seus escutas, falou imenso da sua experiência africana. Eu próprio estive em Mafeking, na África do Sul, e pude ver ressaibos das razões que o levaram a moldar tanto a sua pedagogia nas tribos e nos costumes, nomeadamente africanos. É claro que a África de hoje já não é a África de finais do século XIX e, muito menos, dos territórios do colonialismo inglês, pouco recomendável, diga-se a verdade. Foi pena, por exemplo a injustiça perpetrada pelos Ingleses na guerra contra os Boers em que BP participou, em Mafeking.

No entanto, não há dúvida de que ainda hoje, nos grandes projectos das secções de muitos Agrupamentos, essas descrições de BP são fonte de inspiração e de criatividade. Vem isso a propósito duma experiência minha - que fica a anos/luz de BP - em Angola. Esta zona do país pertenceu quase exclusivamente aos Nhanwekas/Mwila, e foi esta tribo a quem Câmara Leme, em 1885, usurpou o habitat, ao fundar a colónia de Sá da Bandeira (actualmente, Lubango, nome que, nessa altura, já existia). Hoje, a minha paróquia tem ainda uma extensa franja populacional quase exclusivamente habitada por eles.

Pois bem, quando aqui cheguei, em 1997, vi claramente que era urgente colaborar com a juventude dessa tribo, no capítulo de ideais para os seus filhos e netos e para uma reflexão muito consequencial, no interior da tribo, sobre a oportunidade de várias tradições. Para o efeito, lancei uma Escola do III Nível - 7ª e 8ª classe - que já deu aproximadamente uns mil diplomas e projectou muita gente para o Ensino Médio. A determinada altura, pensei que também seria viável e positivo criar o escutismo, nesta zona. E começámos por criar secções repetidas (1ª e 2ª) do Agrupamento da Paróquia que também nasceu após a minha chegada. No dia 6 de Maio, tiveram lugar mais umas Promessas destes miúdos, já com Caminheiros na esteira do horizonte e com cerca de cem associados da AEA (Associação do Escutismo de Angola).

A cerimónia foi em Kakuluvar, uma povoação ribeirinha do rio homónimo. Foi bonito de ver! E foi com todo o gosto que, mais uma vez, convivi com eles, trajando a minha farda do CNE, mas com espírito incarnado no seio da AEA. Não há dúvida de que o escutismo tem uma vocação verdadeiramente universalista.

Não precisou da globalização, tão badalada nos dias que correm, para levar a muitos milhões de crianças e de jovens de todo o mundo a mensagem de que ser irmão é muito preferível a levar a muitos 'Iraques' a tragédia do sangue e do ódio.

Pe. Álvaro Teixeira, cmf
 

 

Associação dos Profissionais da Comunicação Social
do Lubango

No dia 18 do corrente, a Associação dos Profissionais Católicos da Comunicação Social, do Lubango começou a ser um facto consumado. A sua Comissão Instaladora (três pessoas) começou a trabalhar em Junho de 2005; só a 18 de Abril de 2007, e após diversas iniciativas já realizadas e comprovativas da necessidade de tal Associação, lançou - já com Estatutos aprovados pelo Arcebispo - o acto da eleição da Primeira Direcção.

Foram eleitos:
Presidente: Aurora Guerreiro (Rádio Nacional)
Vice-Presidente: José Quirino (Rádio Nacional)
Secretário: Pelágio (Rádio Nacional)
Tesoureira: Nara Roque (Correspondente da Rádio Ecclesia)
Vogal: Gisela Borges (Televisão Pública de Angola)
Pe. Álvaro Teixeira, cmf (Assistente Arquidiocesano)

De sublinhar que o número destes profissionais se aproxima dos duzentos, só na cidade; a Associação, neste momento, conta com cerca de trinta. A Comissão Arquidiocesana para a Comunicação Social, promotora da criação desta entidade, por meio do seu Delegado para a Comunicação, o Pe. Álvaro Teixeira, regozija-se, em nome de toda a Arquidiocese, com esta nova Associação, pioneira em Angola e não só. É que a sua identidade e acção estende-se a todos os profissionais da Comunicação Social, não se reduzindo aos limites dos jornalistas.

Toda a entidade dum órgão de Comunicação Social é um todo a formar e a informar. É comum criarem-se coisas só para os jornalistas. É claro que os jornalistas são importantes; mas a Comunicação Social integra também repórteres de câmara, técnicos, administrativos, pessoal directivo, etc. Daí que a nova APCCS - Associação dos Profissionais Católicos da Comunicação Social - seja uma pioneira duma nova maneira de ver o associativismo na Comunicação Social. Neste caso, um associativismo da tutela da Igreja Católica, por meio da Arquidiocese do Lubango, D. Zacarias Kamwenho.

Pe. Álvaro Teixeira, cmf