"IN MEMORIAM”

 

P. SEVERINO MARIA ALONSO
o querido mestre

 

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No dia 2 de Outubro os Santos Anjos levaram para o Céu o P. Severino Alonso. Desde os primeiros dias em que tive a sorte de o conhecer, em Roma – era ele director  dos Estudantes de Teologia, no Claretianum, e eu um dos felizes contemplados – considerei-o sempre como o meu querido mestre. Nessa altura, ele moldava o meu espírito com o seu conselho amigo e, mais ainda, com a sua vivência de missionário Claretiano. A dimensão eucarística e mariana da nossa espiritualidade, o ardor pela salvação do próximo, a fidelidade à Igreja e à Congregação Claretiana, a disponibilidade a toda a prova, a coerência de vida e tantos mais valores, transmitia-os por contágio, antes de os transmitir oralmente e por escrito.

O P. Severino continuaria a acompanhar-me pela vida fora através de algumas cartas, de encontros, das suas obras, de numerosos artigos publicados em “Vida Religiosa” e em muitas outras Revistas.

A mesma luz intensa foi-a projectando para muita outra gente, leigos, sacerdotes, religiosos, Congregações inteiras, pregando Retiros, dinamizado Capítulos, dirigindo almas, leccionando no Instituto Teológico de Vida Religiosa e na Escola “Regina Apostolorum”, de Madrid.

Como não sabia dizer não a qualquer pedido que lhe chegasse da Espanha ou de outros países, trabalhava até ao esgotamento. Mas era, ao mesmo tempo, um homem de oração, vivendo intensamente a filiação divina e mariana, de que tanto gostava de falar e de escrever. “Místico da acção” como António Maria Claret, apaixonado como Teresa de Ávila, contemplativo como Isabel da Trindade, seguidor do caminho de “confiança e abandono” como Teresa de Lisieux.

Acho que não exagero se disser que foi um dos mestres que mais contribuiu desde o Concílio para a renovação da vida consagrada. Em Portugal, o primeiro Encontro de Teologia de vida religiosa para Inter-noviciados  foi ele que o orientou, em Fátima. Desde então, muitas outras vezes o vi por estas terras lusas.

A propósito, ouvi dizer a um Cardeal – e a mesma ideia vi-a repetida em vários lados – que a Igreja precisa de homens novos, modernos, peritos em humanidade, abertos e sensíveis, criativos e audazes: os “santos do Concílio”. O meu querido mestre foi um deles. Seduzido por Cristo, “viciado” de Cristo, não pairava nas alturas, mas descia à terra de cada pessoa, fosse ela importante ou desconhecida. Aquele “hermano”, “hermana”, com que nos tratava a todos ficará para sempre a ressoar-me no coração.

                                                                           Abílio Pina Ribeiro, CMF

 

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