Bento XVI
proclamou o “Ano Paulino” para celebrar os 2000 anos do nascimento de São
Paulo. Este Ano, que vai de 29 de Junho de 2008 a 29 de Junho de 2009,
coincide com outra proposta feita pelo Papa: a convocação de um Sínodo sobre
a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja.
São Paulo foi
o Apóstolo que mais influenciou a Igreja nascente. Grande arauto do
Evangelho, pode ser o nosso guia para descobrirmos, mais profundamente, o
lugar da Palavra de Deus na vida e na missão dos Claretianos. Ele é o autor
sagrado mais frequentemente lido na Liturgia. As nossas Constituições
citam-no a cada passo: 71 vezes (os quatro evangelistas, 81 vezes; os
restantes livros do NT, 30).
Acerca de
Paulo escreveu Claret, na sua Autobiografia: “A leitura da história dos
Apóstolos constituía para um mim um forte estímulo... Mas quem me enchia
totalmente as medidas era o Apóstolo São Paulo. Ei-lo a correr duma banda
para a outra, levando a mensagem de Cristo. Ele prega, ele escreve, ele
ensina nas sinagogas, nas aldeias e cidades, por todo o sítio. Ele trabalha
e faz trabalhar, a tempo e a destempo. É açoitado, apedrejado, sujeito a
perseguições e a calúnias. Compraz-se nas tribulações e chega a dizer que
não pretende gloriar-se, a não ser na Cruz de Cristo” (cf Aut. 223-224).
Quem não ouve aqui a música de fundo da “definição do Missionário” (Aut
494)?
A existência
de Claret foi sempre marcada pela divisa paulina: “A caridade de Cristo
me impele” (2 Cor 5. 14). Procurava viver e agir de tal maneira que nos
pudesse desafiar como o grande Apóstolo: “Imitai-me, assim como eu imito
a Cristo” (cf 1 Cor 11, 1: Aut. 340, 387).
A doutrina e
a obra de Paulo de Tarso iluminavam a sua figura de Missionário Apostólico.
Não se limitavam a suscitar nele uma pergunta: “Que devo fazer em honra
de meu Pai?” (Aut. 17). Tornavam-no cioso do bem da Igreja, a quem tinha
desposado (2 Cor 11, 2: Aut 379). Também ele podia declarar: “Gerei-vos
através do Evangelho” (cf 1 Cor 4, 15: Aut 665).
O Apóstolo
dos Gentios ensinava-lhe todas as virtudes apostólicas. Como Paulo, Claret
ganhava com as próprias mãos o que precisava para comer, vestir, estudar...”
(cf Act 20, 34: Aut 56).
Na hora das
contrariedades, via em Paulo um modelo de fortaleza e coragem (Act 20,
23-24: Aut 201). Na escola de Paulo, aprendia o sentido das tentações (cf
Rom 12, 18: Aut 101), a necessidade da mortificação (1 Cor 9, 27: Aut 413) e
da modéstia (Fil 4, 5; Col 3, 12: Aut 389), a humildade (1 Cor 12, 3: Aut
345), a paz e a mansidão indispensáveis no trato com as pessoas (Rom 12, 18:
Aut 386).
Mas, acima de
tudo, a caridade (cf Aut 438). Ainda que tivéssemos todas as
qualidades e carismas, todas as especializações e grandes obras, se faltasse
o fogo da caridade, não passaríamos de um bronze que ressoa (cf 1 Cor 13, 1:
Aut 441).
Como Paulo,
enfim, Claret procurava ser tão fiel e generoso no serviço e no amor de
Cristo que nem a vida nem a morte, nem qualquer outra criatura, o separavam
do seu Mestre nem o impediam de anunciar a Boa Nova (Rom 8, 38-39: Aut 670).
Servidores da
Palavra, enviados em missão profética, “para que todos tenham vida”,
sentimos como dirigida a nós a vigorosa exortação de Paulo a Timóteo: “Praedica
verbum”, anuncia a Palavra (2Tim 4, 2: Aut 450).
Não faltarão
iniciativas ao longo deste Ano para fazermos caminho com São Paulo. Mau
seria que não aproveitássemos DVD’s, e livros, e cursos, e encontros, e
semanas de estudo...
Mas a
dimensão intelectual não é suficiente. Só quem tiver a Palavra de Deus no
coração conseguirá tê-la na boca como um tesouro do qual fala. Somos
convidados a ser guardas atentos e dinâmicos da Palavra. A Palavra de Deus,
com o seu novo mundo de afectos, significados e valores.
Um ano, pois,
a caminhar com a Virgem Maria. Com São Paulo. Com Santo António Maria Claret.
P. Abílio Pina
Ribeiro, CMF
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