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rofissões em África


 

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Retiro para a profissão perpétua

            No dia 12 de Setembro de 2008, pelas 16 horas, um grupo dos dez candidatos à profissão perpétua deixou o teologado claretiano de Nkolbison, em Yaoundé, e partiu, rumo a diocese de Mbalmayo, que dista 50 kms da capital dos Camarões. Chegámos ao lugar do retiro, no “Foyer  Charité de L’ Horeb”, de Mbalmayo, por volta das 19 horas. É um centro propício à oração e à reflexão. Às 20 horas, serviu-se o jantar e, às 21horas, teve início oficialmente o retiro.  

            Acompanhou-nos espiritualmente o Padre Jean Claude Mambele, cmf, ex-vice mestre de noviços claretianos em Akono, nos últimos três anos. Propôs um tema actual na história da Congregação, baseando-se no evento do bicentenário do Padre Claret: Missionários claretianos do bicentenário: consagrados para evangelizar”. Na verdade, santo António Maria Claret nasceu para evangelizar. E nós, Claretianos, fomos consagrados também para evangelizar. É esta a nossa identidade religiosa no mundo. Quem somos, como missionários? Que desafios importantes nos lançam, hoje e no futuro, como Congregação? Para melhor darmos resposta a esta questão fundamental, vimos que era preciso retornar às fontes do nosso carisma e do nosso fundador, dinamizar e revalorizar a vivência dos valores evangélicos. É o eterno regresso ao mistério pascal de Cristo. Esta caminhada deve ser primeiramente vivida em comunidade, a fim de resgatarmos o mundo. Em suma, o claretiano é um missionário que vive à maneira dos Apóstolos (Mc 3, 13-14). Ele é chamado a viver os conselhos evangélicos, a proclamar o anúncio da Boa Nova. Numa palavra, nós somos “servidores da Palavra”, frequentamos a escola da Palavra de Deus, da Eucaristia e dos pobres, que são o espelho da nossa vida missionária. A nossa missão na sociedade caracteriza-se pela tríplice dimensão eclesial, universal e profético.

Por isso, o Padre Jean Claude, cmf, recordou-nos que o missionário claretiano dever agir, como religioso, em três vertentes: seguir unicamente o Evangelho, “a sequela Christi”; imitar a figura de Santo António Maria Claret (nosso fundador) e reflectir o comportamento da Virgem Maria, nossa Mãe e Padroeira, que está associada à missão redentora. Na manhã de sexta-feira, dia 19 de Setembro, o dia abriu com as Laudes, às 6,30, seguidas da celebração eucarística. Por voltas das 8,30, deixámos o “Foyer Charité de L’ Horeb”, a caminho de Yaoundé. Chegámos ao Teologado às 10 horas e aí sentimos o calor dos nossos colegas, após uma semana de separação. Todos ficaram contentes por nos verem de regresso à comunidade. No final de uma semana de meditação e reflexão, descobrimos que a profissão perpétua é para nós o início de um êxodo para o mistério pascal. Professar, de forma definitiva, na Congregação significa uma nova etapa na nossa vida religiosa.

                                                                 Fernando Koia Tchivinga, cmf 

 

Votos perpétuos dos estudantes Fernando e Silvestre 

 

Pentecostes claretiano (José Alberto Kibeto)

 

Não foi fácil descrever o que senti, após a profissão. Só pode saborear a sua riqueza quem a viveu. Tudo tem sabor a graça, quando se está diante do autor da vocação. Foi um Pentecostes claretiano, porque houve professos de várias nacionalidades que proclamaram o seu sim definitivo em ordem a servir a Igreja, através da Congregação: 6 eram dos Camaroes, 2 do Congo Democrático e 2 de Angola, num total de total dez professos.

Foi no dia 20 de Setembro de 2008, na paróquia de S. Carlos Lwanga, dirigida pelos Missionários Claretianos, que os nossos irmãos Silvestre Mwueukufange e Fernando Koia deram o seu assentimento perpétuo.

A alegria foi claretiana e eclesial, celebrada ao ritmo da marimba, instrumento litúrgico tradicional. Toda a igreja vibrou, quando entraram os 10 professos, acompanhados por cinco diáconos claretianos, vários concelebrantes, e o presidente da celebração, o padre Medard Kuango, novo Delegado das missões claretianas da África Central francófona. A festa teve duas finalidades: a profissão religiosa e as congratulações pelo novo Delegado, que tinha sido antigo estudante de Ngoya e do teologado claretiano, e que regressou de França, após três anos de estudos.

Uma das particularidades desta celebração consistiu no silêncio do órgão, que só se fez ouvir na Ladainha dos santos. Tudo o mais decorreu ao ritmo do famoso ‘balafão’, instrumento musical da tradição local, da tribo Ewondo.

A missa começou às 10 horas e terminou às 13,30. Tudo se fez em ambiente festivo e foi lindo de ver-se! A paróquia ofereceu, nesta ocasião, um copo de água aos novos professos, como sinal de reconhecimento aos seus apóstolos. 

  

Interculturalidade e vida missionária (Silvestre Mweukufange, cmf)

 Ser missionario significa perceber o sentido da abertura para com os outros e a unidade. A interculturalidade constitui o eixo do missão e da vida sem fronteiras. Ela contradiz o racismo, a etnocentrismo, o nacionalismo que agridem o amor universal. A missão de Jesus Cristo derrubou os muros de todo tipo de divisões e fixou uma forma de vida que permite o relacionamento com pessoas de outras culturas, numa linha de respeito e dignidade. As barreiras das culturas e línguas, e o domínio sobre o mundo do outro, não têm mais sentido em Cristo (cf. Ef. 2,13-16), nem à luz dos valores evangélicos e missionários.

            Desde 2000, altura em que entrei no seminário claretian, na Corimba/Angola, esta expressão de vida ajudou-me a partilhar novos horizontes. Dede 2000 que saí da monoculturalidade, penetrei na multiculturalidade e tive a graça de aceitar e de viver o dom da interculturalidade. Descobri assim que a minha vida deveria contribuir também para a proclamaçãoo do amor universal de Cristo evangelizador. A partir do postulantado em Luanda, do noviciado no Lubango, do filosofado em Kinshasa e, agora, do teologado em Yaoundé, compreendi e aceitei que ser missionário significa entrar na interculturalidade com empenho e sujeitar-se a um exame exigente para ser um testemunho constante da missão de Jesus.

            A interculturalidade significa saber entrar no mundo do outro, adquirir novos horizontes e partilhar um novo ideal de vida. A minha cultura foi chamada a fazer diariamente a complementaridade com o outro. É um processo lento de conversão e de transformação. Os centros de formação claretiana na Àfrica Central inseriram-me ainda mais na aplicaçãoo destes valores que revelam a vida comunitária intercultural. Jesus é o nosso modelo de interculturalidade. Ele estava bem radicado na cultura hebraica e mostrava-se, ao mesmo tempo, aberto às pessoas de outras nacionalidades, disposto a entrar no mundo próprio de cada um (cf. Jn 4,5-42).

            Viver na interculturalidade quer dizer que devo deixar-me pertencer aos demais, na unidade e respeito mútuo, devo crescer em consciência e permanecer comunitariamente centrado em Jesus Cristo, à maneira dos Apóstolos. Aqui deixo constância da minha expériencia missionária no campo da interculturalidade, que me ensinou a agir com pessoas de diversas culturas e a reconhecê-las como meus irmãos. O meu sim definitivo dado à Congregação está englobado neste amor universal a Cristo evangelizador, que se exprimiu na interculturalidade.

 

DO PASSADO AO PRESENTE,

DO SONHO À REALIDADE

 

             “O que era desde o princípio, é o que nós escutámos, o que nossos olhos viram, o que nós contemplámos e o que nossas mãos tocaram... O que nós vimos e escutámos, nós vo-lo anunciamos também, para que estejais em comunhão connosco... Nós vos escrevemos isto, para que a vossa alegria seja perfeita”(1Jn 1,1-4).

            Com este texto, queremos destacar aquilo que foi e continua a ser por nós essencial: no dia de Julho de 2008, entrámos em retiro, com objectivo de nos prepararmos para a primeira profissão religiosa. Este retiro visava fundamentalmente a meditação da fórmula religiosa claretiana e o empenhamento na vida religiosa, o seu sentido e respectivas implicações. O retiro durou aproximadamente oito dias, sendo os restantes sete preparação para a festa e arranjos da casa.

            Deve-se salientar que, no decorrer do retiro, fomos meditando muito sobre a vida da Congregação, e que foi de muito bom proveito, graças aos ricos ensinamentos do P. Théophile Okala, cmf, ex-prefeito de formação para a Africa Central.

O comportamento dos futuros professos foi extremamente sereno; quer dizer, as emoções não eram exageradas, antes normais: pautaram-se sempre  pelo “in medio est virtus”.

Até que nos perguntámos: será sonho ou realidade? Eis uma questão fundamental. É que os nossos corações começavam a bater forte. Porquê? Tinham chegado os nossos colegas teólogos, dois dias antes da nossa profissão. No dia 13, chegou o P. Marcelo Ensema, conselheiro geral da Congregação, juntamente com o Superior delegado da Guiné-Equatorial e respectivo vigário. Uns vinham presidir à Eucaristia, como era o caso do P. Marcelo, e outros sacerdotes para a animar, pois colaboraram na concelebração que decorreu por volta das 10 horas.

            Os corações começaram a bater mais intensamente com a presença de outras pessoas, nas vésperas do dia 15 de Agosto. O noviciado tornava-se um passado e a profissão religiosa fazia-se um presente. Compareceram diversas congregações religiosas, em especial aquelas que tinham partilhado connosco os ideais da vida religiosa no inter-noviciado, como a oração, a maturidade afectiva, a sexualidade e a teologia dos votos. Fortes e abundantes chuvas se abateram e irrigaram nesse dia toda cidade de Yaundé, sem que  tal circunstância tivesse impedido a realização da tripla festa: a Assunção de Nossa Senhora, o bicentenário do nascimento de Santo António Maria Claret e o bimilenário do nascimento de S. Paulo. Este grupo de professos foi o ultimo a passar pelas mãos do P. Robert Avula, que esteve catorze anos como mestre de noviços em Akono. A ele, o nosso muito obrigado.

            Não foi fácil palmilhar a caminhada até hoje. Só foi possivel ultrapassá-la, contando sempre com as vossas orações e e o nosso esforço, pois como disse Jesus: “sem mim, nada podeis fazer” (Jn 15,5).

            A todos as nossas cordiais saudações.

           Os professos: André Satchiquata, César Sacramento e Miguel Lino  
 
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