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No mês de Setembro de 2007, a Prefeitura Geral de Apostolado realizou
em Krezidlina Mala (Polónia) um encontro sobre a Transmissão da Fé, em que
tomaram parte dez claretianos de vários Organismos da Europa.
O tema tinha nascido do interesse do último Capítulo Geral de que fosse
aprofundado no sentido de dar uma resposta ao fenómeno da incredulidade e da
indiferença religiosa: “Encontrar novos caminhos para despertar a fé e
acompanhar o seu crescimento em pessoas desiludidas com a Igreja ou que se
consideram incrédulas” (PQTV 68.2).
Seguindo um programa pré-estabelecido, cada um dos participantes
elaborou um trabalho escrito para o partilhar com os outros, durante o
encontro. Os temas abrangem, desde a realidade que nos interpela até aos
meios, instrumentos e recursos para a transmissão da fé no Novo Testamento e
na Igreja, a mensagem a transmitir, quais os agentes e os destinatários, que
testemunho e outras chaves pedagógicas. A partir daqui, foi preparado este
texto que reúne o trabalho realizado no encontro, depois de três meses de
reflexão e de importantes retoques, a cargo de um comissão.
Não nos podemos esquecer que esta reflexão foi precedida de outros
encontros em que a Congregação se confrontou com esta realidade. Destacamos
de modo especial o Encontro de Viena’95, assim como também não pudemos
prescindir, para termos uma visão de conjunto, das achegas dos últimos Papas
e, de modo particular, do Sínodo da Europa de 1999, que oferecia um chave
interessante, convidando a passar do episódio de Emaús, reflexo do desespero
de muitos católicos europeus, ao Apocalipse, em que contemplamos Cristo
vencedor, convidando a participar da sua vitória em compromisso e esperança.
Ser minoria não significa que não se posse ter grande impacto na sociedade
dos nossos dias.
Não pretendemos dizer tudo neste simples trabalho. Muitas coisas que
são ditas da sociedade, do destinatário, dos afastados, talvez se possam
dizer de alguns de nós. Quer isto dizer que é também um convite a ler o
texto em chave de exame, de autocrítica, de convite à mudança.
O momento em que vivemos é suficientemente crítico para começarmos a
pensar num verdadeiro giro copérnico na pastoral. Isto serve para nos
interrogarmos se, tanto a Igreja, como a Congregação não estarão a pôr os
seus melhores esforços naquilo que não é prioritário. Não quer isto dizer
que não haja obras muito positivas, tanto eclesiais, como sociais, que nos
podem ajudar a nos enriquecermos. Fechar-se a elas é pôr diques à renovação.
E não esqueçamos que a Ásia, a África e outros continentes têm os olhos
postos na nossa situação, porque há quem pense que ela é como que um
possível prelúdio daquilo que os espera. Isto acumula responsabilidades
ainda mais graves.
Pode acontecer que alguns procurem neste trabalho uma referência às
posições concretas. Pretendemos deixar em aberto o campo pastoral, para não
reduzirmos uma visão geral a situações que poderiam ser muito pontuais e
mesmo episódicas. Isso será preocupação daqueles que abordarem este
trabalho.
O facto de este Encontro ter sido celebrado na Polónia trouxe a todos
os participantes uma riqueza acrescentada, ao respirar ao vivo o ambiente de
um país que soube transmitir a sua fé em tempos difíceis e que está a
começar a sofrer os efeitos da secularização. Supôs também o gozo de
experimentar a grande fraternidade com que o grupo participante foi acolhido
no Encontro por parte dos claretianos da Polónia.
Esperamos que este serviço à Congregação sirva para estimular o nosso
compromisso missionário e pastoral no meio de uma realidade cada vez mais
afastada da fé, especialmente na Europa.
7
de Maio de 2008
Aniversário da canonização de Santo António Mª Claret |