Semana Santa 2009

em Clevelândia - Paraná - Brasil
 

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            Chamados a ser discípulos missionários de Cristo Jesus, dando testemunho da verdade, da justiça e do amor, acolhemos com grande alegria o convite de passar a Semana Santa 2009 na Paróquia Nossa Senhora da Luz, em Clevelândia – Paraná. Ermos dois estudantes de teologia: Jorge Pinheiro e eu, Adriano Dídimo Kutasi, cmff, juntamente com uma Missionária Claretiana, Ir. Ana Maria. O convite nos foi endereçado pelo P. Mauro Zequin Custódio, cmf, pároco local.

            Partimos de Curitiba no dia 4 de Abril, sábado. A viagem durou 7 horas e 15 minutos. Chegamos a Clevelândia às 19h15, e no terminal rodoviário estavam duas leigas à espera de nós para levar-nos à casa paroquial. Fomos muito bem acolhidos pelos PP. André Boanerges e Paulo Pereira, cmff. O P. Mauro estava nas comunidades rurais a celebrar missas. No fim da noite chegou, deu-nos as boas-vindas e apresentou a realidade da paróquia na qual íamos trabalhar durante a Semana Santa.

            No Domingo de Ramos, dia 5 de abril, também dia do meu aniversário natalício, auxiliamos o P. Mauro na celebração da Santa Missa na Matriz paroquial. Após esta Missa, fomos à zona rural onde se concentra a maior parte das comunidades. A Paróquia é constituída por cerca de 40 comunidades. Como são poucos os padres para muitas comunidades, muitas destas ficam vários meses sem missa. Nas cinco comunidades que fomos naquele domingo, celebramos com muita alegria a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Fomos abençoados pela chuva que não impediu que fizéssemos a procissão com os ramos. No fim de cada celebração foram cantados os “parabéns a você” para mim que era o aniversariante do dia. Regressamos à casa no fim da tarde, cansados, mas felizes pela alegria de estar a entrar na Santa Semana de todos os cristãos.

            A partir de segunda-feira, dia 6, começamos a fazer visitas às casas. Muita gente apartou-se das actividades religiosas por vários motivos: falta de assistência, pela ausência de sacerdotes, falta de comprometimento, crescimento das seitas que cada vez mais confundem a cabeça do povo, muita pobreza e trabalho pouco digno entre outros. Juntei-me a uma religiosa das Irmãs Salvatorianas, Ir. Idalina. Juntos fizemos visitas às casas do bairro Goitacaz. Um bairro muito pobre, com casas de madeira improvisada, na sua maioria. Fomos explicando ao povo sentido da Semana Santa, o Mistério Pascal e a importância do mesmo para cada um de nós; ademais rezamos nas casas, levamos água benta e benzemos as casas O Est. Jorge Pinheiro e a Ir. Ana Maria fizeram o mesmo trabalho no bairro da Vila Rural.

 

Na Quarta-Feira Santa, tivemos a Missa no período matutino e, no fim da tarde, fizemos a Procissão do Encontro. Os homens vieram de um bairro com a imagem de Nosso Senhor dos Passos, e as mulheres vieram de outro com a imagem de Nossa Senhora das Dores. Os dois grupos caminhavam rezando e cantando. O encontro deu-se na praça defronte à Matriz. Entrámos na Igreja e fizemos um belo momento de oração. O P. Mauro explicou o sentido do encontro e das dores de Nossa Senhora. Foram lidas várias mensagens para as pessoas, especialmente, mulheres sofridas dos nossos dias

            Na Quinta-Feira Santa tivemos, no período da tarde, a celebração do Hagadah (ceia judaica) com as lideranças da paróquia. Foi um belo momento de comunhão e revivemos a Ceia Pascal de Cristo Jesus com os Seus discípulos. Cada momento foi explicado detalhadamente o sentido que aportava. À noite, celebramos a Santa Ceia com o Lava-Pés. Doze pessoas, dos vários escalões sociais, foram convidadas a sentar-se para que se lhes lavassem os pés; outras onze foram convidadas para lavar os pés das outras. O P. Mauro foi o primeiro a lavar os pés de uma idosa e todos foram lavando os pés uns dos outros. Foi um momento de muita emoção, pois a dinâmica foi surpresa e a vivência do serviço aos irmãos, legado de Cristo, foi mais forte. No fim da Missa fizemos a Adoração ao Ssmo. Sacramento. Pouca gente acorreu à capela do Santíssimo.

            Na Sexta-Feira Santa, às 5h00 da manhã fizemos a Caminhada Penitencial com o povo da cidade, tendo participado mais de uma centena de pessoas. À tarde fomos à comunidade rural e, com o povo convidado, fizemos a Adoração à Santa Cruz às 15 horas; participaram cerca de 30 pessoas, entre homens, mulheres e crianças. À noite, já no centro da pacata cidade de Clevelândia, partimos da Comunidade S. Sebastião e fizemos a procissão do Senhor Morto, das 19h00 às 22h00. Participaram cerca de 90 pessoas. Caminhámos, rezámos, cantámos e refletimos nos sofrimentos que Cristo passou por amor a cada um de nós.

            No Sábado Santo durante o dia preparámos a Igreja para a celebração da Vigília Pascal. À noite, o Jorge e eu auxiliamos o P. Mauro na celebração. Muita gente que não ia à Igreja há anos, apareceu para agradecer a Deus Uno e Trino pelas maravilhas e sofrimentos de amor por cada um de nós.  A missa foi muito participada e o povo demonstrou muita fé.

            No Domingo o sol nasceu diferente, pois era Páscoa! Cristo ressuscitou! Aleluia!! Abraçámo-nos entre nós, desejámos Feliz Páscoa uns aos outros. Fomos à missa. A igreja estava lotada de gente! Era alegria por sentir-se agraciado pelo dom da salvação que deus nos deu em Cristo. O povo por nós visitado, percorreu vários quilômetros para celebrar a Páscoa na comunidade paroquial. Foi um momento de bênção que fica gravado na vida de cada um. Para mim foi motivo de agradecer a Jesus pelo dom da vida e da vocação missionária.

            Após a missa fomos à casa das Irmãs Salvatorianas e tivemos um almoço de confraternização e despedida. Os Padres e as Irmãs agradeceram a nossa presença e convidaram-nos a participar mais vezes para ajudar o povo de Deus a crescer na fé. O mandato de evangelizar continua a soar e é dever de todos os cristãos comprometer-se com a causa de Cristo missionário.

            Uma vez que na segunda-feira tínhamos os nossos deveres acadêmicos, tivemos que viajar de volta a Curitiba logo após o almoço. Foi uma experiência muito enriquecedora que me fez reacender o fogo missionário que carrego dentro de mim a estilo do nosso Fundador, Santo António Maria Claret.

            Louvo e agradeço a Deus por tudo e conto sempre com a proteção de Maria Santíssima.


                                Um abraço fraternal,

                                Adriano Dídimo
Kutassi, cmf.